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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Nada sobre nós sem nós


A postagem selecionada acima, diz respeito ao histórico movimento das pessoas com deficiência no Brasil, discorre de modo reflexivo sobre o vídeo em anexo, deixando evidente as impressões pessoais.
O título escolhido para tratar desse tema refere-se a mensagem que é a voz do movimento. "Nada sobre nós sem nós", porque não é possível falar e representar adequadamente um determinado grupo de pessoas, se não se vivenciou a sua luta, se desconhece  as sua história, as suas necessidades, interesses e aflições.
O vídeo expõe algumas das conquistas do movimento, como o reconhecimento da Libras, o direito a acessibilidade, acesso a educação regular. No entanto, também evidencia o quanto ainda estamos longe de uma sociedade justa e igualitária.

domingo, 25 de novembro de 2018

Refletindo sobre a sexualidade infantil...

https://danielajspaixao.blogspot.com/2015/11/a-sexualidade-das-criancas-e-um-tema.html

Coloco em destaque a postagem acima, porque além de considerar a sua escrita coerente, esse é um debate que está mais atual do que nunca, devido a aparente opinião pública, impregnada de máximas religiosas, em se tratando do elucidar desse assunto dentro das escolas.
É possível, que a sexualidade das crianças não tenha ganho antes tamanha repercussão, pelo menos no Brasil, como agora. Chego a pensar que, até bem pouco tempo atrás, essa não era a preocupação mais predominante, observado que faz somente 12 anos que os canais de tv brasileiros passaram por adequações nos horários das transmissões,  incluindo a faixa de classificação etária exibida na programação. Até então, programações de cunho sexual eram exibidas normalmente, sem nenhum constrangimento, a qualquer horário, e o que é pior, também podia-se perceber esse teor inclusive em programas classificados como infantis.
No entanto, se por um lado temos hoje uma espécie de censura nas exibições televisivas, o mesmo  critério, por questões obvias, não pode acontecer com a internet ou com a música, pois nesse caso cabe aos responsáveis das crianças fazer a distinção do que é adequado para elas.
Acontece porém, que os mesmos que condenam a teorização da sexualidade infantil, ou que esse assunto, que chega de maneira muitas vezes inadequada a escola, lá seja tratado de forma naturalizada e responsável, permitem ao mesmo tempo, que as crianças e jovens tenham acesso a conteúdos inapropriados, incluindo o uso de roupas ou acessórios do mundo adulto.
Visto, que mesmo na educação infantil o uso de tinturas no cabelo e de maquiagens por parte das crianças é frequente, inclusive a cantoria de refrões apelativos ou o emprego de palavrões, o que não é de agora. 
Entretanto, os professores são obrigados a lidar com essas situações cotidianamente e encará-las descompromissadamente, pois qualquer tentativa de orientação nesse sentido pode ser mal interpretada e na atual circunstância está sob pena de ser vista como doutrinação.
Que tempos são esses?A medida em que crescem as ideias conservadoras, aumenta também a hipocrisia.
Por fim, refletindo, será negando a nossa natureza, em satisfação de apelos equivocados e ilusórios, que vamos resolver questões dolorosas e de ordem social, como a irresponsabilidade parental, a gravidez na adolescência, os casos de pedofilia, as DST's, entre outros problemas que nos afligem enquanto sociedade e que são claramente decorrentes de uma sexualidade mal ajustada.   





quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Revisitando o post :"Manifesto dos Educadores e Educadoras Brasileiras do século XXI"


                                                                                                                                                    https://danielajspaixao.blogspot.com/2015/12/atividade-para-interdisciplina.html

No link acima está uma atividade desenvolvida para a interdisciplina de Escolarização no Espaço e Tempo na Perspectiva Histórica, consiste em um desenho com um breve esclarecimento quanto a mensagem que desejava transmitir na época.
Estávamos estudando o Manifesto dos Pioneiros, as influências do movimento Escola Nova no Brasil, a proposta resumia-se na construção de um "Manifesto dos Educadores e Educadoras Brasileiras do século XXI", em um formato a livre escolha. A minha opção foi uma manifestação artística por meio do desenho, acredito que a ideia foi transmitida com clareza, a inspiração veio da Escola Parque, idealizada por Anísio Teixeira, que provou que era possível se ter uma educação pública de qualidade, mas que no entanto, taxada de ambiciosa, a sua proposta não teve o incentivo merecido e não tomou a proporção que gostaria. Entretanto, o experimento com Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador, Bahia, inaugurado em 1950, ganhou repercussão não somente nacional, como uma das mais audaciosas concepções pedagógicas, servido de inspiração até os dias de hoje.
Ao rever esse ideal de escola, o manifesto dos Pioneiros, não há como não se abater de tristeza ao pensar na educação atual, que as poucas conquistas que obtivemos nesse campo estão ameaçadas, que para alcançarmos algum dia um modelo educacional adequado, muitos confrontos ainda serão encadeados. Mas, concluo levantando a bandeira da resistência, pelos sobreviventes dessa terra e por aqueles que realmente amaram e deram a vida pelo nosso país.


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Iniciando o estágio obrigatório

Resultado de imagem para frases paulo freireNessa semana iniciei o meu estágio curricular obrigatório, apesar de já conhecer a escola, a situação é singular e se apresenta como uma missão que deve ser plenamente executada. Não há como negar a ansiedade que antecede o novo, mesmo sabendo que os desafios enriquecem a nossa prática. 
A minha proposta para essa jornada é dirigir o meu planejamento sob a ótica da arte e do movimento, com o tema: Vamos fazer arte? A escolha do tema deu-se porque, além de despertar o interesse da turma, a educação infantil exige o desenvolvimento de um trabalho por intermédio do lúdico e a arte explora e expande essa ideia. É possível encontrar a arte em cada detalhe do nosso dia a dia, se trata da manifestação da nossa cultura e história, podemos dizer que está em toda a parte, o que permite o desenvolvimento de um projeto interdisciplinar. 
Por intermédio da arte é possível aprender brincando e o movimento é uma das suas expressões mais significativas. A arte e o movimento estão interligados, favorecem estímulos que possibilitam a expressão das crianças sobre si e sobre o mundo ao seu redor.
Desse modo é possível contribuir com a construção do raciocínio crítico, com a percepção da diversidade e atuar de forma inclusiva, estimulando o respeito as diferenças.
Sendo assim, ao refletir sobre essa proposta, sobre o contexto educacional de modo geral e sobre o atual cenário que se estabeleceu em nosso país, conservadorismo + degradação de valores humanitários x democracia, percebo o quanto a filosofia freiriana se faz necessária na construção de uma sociedade mais justa e racional.
Pois, cada vez mais compreendo que não é possível formar "cidadãos de bem", sem uma educação que priorize o reconhecimento e aceitação da diversidade, sem a liberdade de informação e expressão e a filantropia. Chega de achar que a imparcialidade é conveniente, a escola também é responsável pela formação ideológica tanto do oprimido, quanto do opressor.

sábado, 16 de junho de 2018

História da Educação no Brasil - Aula 18 - Paulo Freire e sua proposta d...




O legado de Freire para a educação foi mais do que sugerir uma nova proposta ou método de ensino, além de derrubar as estruturas de uma pedagogia opressora denunciando os seus equívocos, como o uso das cartilhas na alfabetização, ele conseguiu nos advertir quanto ao caráter político da ação educativa. Lembrando a todos da função social exercida pela escola e que não pode ser negligenciada pelos órgãos competentes ao sistema educacional.
Ao olharmos para a Educação de Jovens e Adultos, por exemplo, nos damos conta de que de certa forma ela denuncia o fracasso tanto da escola regular, no que tange ao seu compromisso com a comunidade, quanto a desestrutura e imprevidência do Estado para com o seu comprometimento social. Já que somos levados a refletir assuntos pungentes como a evasão escolar, o trabalho infantil, o analfabetismo, questões raciais, os índices de desigualdade, entre outros. Esse amplo contexto de situações dolorosas se faz presente na EJA, e a essa modalidade de educação cabe o resgate desses sujeitos, descobrir e construir ações positivas, de forma que a aprendizagem escolar lhes propicie ferramentas úteis tanto para a resolução de questões práticas da vida cotidiana, como incluindo esses indivíduos no enredo produtivo, dinâmico e autônomo da sociedade.
Foi justamente atuar na libertação dos indivíduos delegados a viver as margens da sociedade que a pedagogia freiriana dedicou-se profundamente. Como nos mostra a experiência de Angicos, alfabetização em 40 horas dirigida por Paulo Freire, que testemunha a eficácia da sua revolucionária metodologia. Paulo Freire queria quebrar as barreiras do conhecimento e ensinar a leitura do mundo.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Piaget, Vygotsky e Wallon algumas considerações


Resultado de imagem para PIAGET vygotsky e wallon As concepções de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henri Wallon, apesar de algumas diferenciações, apresentam de certo modo alguns aspectos semelhantes. A exemplo, temos a maneira na qual compreendiam as crianças, como um sujeito com capacidades cognitivas que lhes permitiam a ser ativas, atentas e pensantes em seu ambiente. Ambos teóricos defendiam a importância da socialização e da interação do indivíduo com o objeto de aprendizagem.
Para Piaget, no entanto o desenvolvimento humano se dava por etapas, períodos ou estádios: sensório-motor (entre 0-2 anos), pré-operatório(entre 2-6 anos), operatório concreto(entre 7-11 anos) e operatório formal(inicia-se por volta dos 12 anos), entretanto a faixa etária que compreende cada qual, pode ser variável, sendo que a passagem para a etapa posterior se dá somente após a completa formação da primeira. Assim podemos entender que cada fase dessa evolução é marcada por esquemas endógenos subsequentes o que Piaget determinou de embriologia mental. Entretanto, apesar de essa embriogênese terminar apenas na fase adulta, totalizando um contexto biológico e psicológico, diferentemente das faculdades biológicas, essas fases não desabrocham ao longo da vida do indivíduo, elas não são previstas. Isto é, nem todos os seres humanos alcançarão todas as etapas do desenvolvimento mental, pois elas dependem das exigências impelidas pelo meio, isso quer dizer que o meio estimula as estruturas mentais, que o avanço acontece a partir da necessidade de raciocinar sobre o objeto proposto.
O trabalho de Montoya nos leva a entender que na teoria piagetiana o desenvolvimento psíquico do ser humano acontece basicamente pelo processo de desequilibração e equilibração.Desse modo, no momento em que o sujeito se vê diante de uma nova situação de aprendizagem, desequilibra-se, sentindo então a necessidade de retomar o equilíbrio. A partir desse episódio tem início o processo da assimilação do novo, que por meio da interação há a apropriação desse elemento, provocando transformações nas estruturas mentais do sujeito, desse modo inicia-se o processo de acomodação, que aos poucos alcança certa organização.  Com a internalização desse acontecimento, tem principio a adaptação externa do indivíduo, que logo irá se deparar com um novo desequilíbrio, num contínuo movimento dialético. Essa atividade interna pode ser motivada pela curiosidade, necessidade, dúvida, entre outros, fazendo-se condição essencial a aquisição de novas cognições.
Dessa forma, Piaget credita a circunstância da aprendizagem com maior peso a essa movimentação interna, ou seja, está subordinada ao desenvolvimento, já que defendia que só era possível o alcance de um determinado conhecimento se as estruturas mentais tivessem condições para tal, em vista disso, minimizando o papel da interação social nesse processo.
Já Lev Vygotsky defendia que o pensamento era moldado pelas condições externas, sendo assim para ele a historicidade, a cultura, as relações sociais, determinavam profundamente o modo de pensar. Ou seja, se para Piaget a criança é quem age sobre o meio estruturando o seu pensar, para Vygotsky o meio é o responsável pela maneira como a criança formula o seu raciocínio, nos deixa claro que são dois pontos de vista baseados na interatividade do sujeito.
Desse modo, Vygotsky acreditava que o desenvolvimento cognitivo é mediado pela proposta do contato social, através de símbolos representantes de uma cultura. Toda via essa internalização de significados que vão tomando forma e organizando o psíquico, não é linear e acontece de forma diferente para cada sujeito, pois é constituída por experiências individuais. O teórico desenvolveu um reconhecido trabalho a respeito da formação de conceitos no psiquismo humano, são eles: Os de senso comum que estão relacionados as atividades e vivencias da vida cotidiana, formulados sem qualquer prova científica; E os de senso formal, baseados em conceitos científicos formais, testados, organizados e comprovados de acordo com os critérios da ciência, são transmitidos ao longo da vida pela escola, livros e outras experiências de natureza culta, no qual vão aos poucos sendo incorporados pelo senso comum do indivíduo.
O avanço em a sua teoria deu-se sobre a ideia de zonas de desenvolvimento, seriam a real que é baseada em conceitos já dominados pelo sujeito e a Zona de Desenvolvimento Proximal que é reservada a aquisição de novos conhecimentos, é uma parte em potencial e que é sempre ampliada a medida que em se aprende, sendo assim o percurso cognitivo está sempre em movimento.
O que Henri Wallon inovou, de certo ponto de vista, ao levar a criança por inteiro para dentro da sala de aula, ao associar as emoções ao conhecimento. A sua teoria pedagógica fez clara oposição aos métodos tradicionais de ensino, apontando uma relação estreita entre a afetividade e o desenvolvimento intelectual. Como um humanitário Wallon sinalizou um aparente mundo subjetivo que envolve os aspectos cognitivos do ser humano, composto por um somatório de sentimentos desenvolvidos a partir das relações interpessoais estabelecidas desde a mais tenra idade, caracterizando um ser essencialmente social.
O que podemos compreender melhor, considerando que:
Ao apontar a base orgânica da afetividade, a teoria walloniana resgata o orgânico na formação da pessoa, ao mesmo tempo em que indica que o meio social vai gradativamente transformando esta afetividade orgânica, moldando-a e tornando suas manifestações cada vez mais sociais. (FERREIRA e ACIOLY-RÉGNIER, 2010, p.26)

As crises sociais e instabilidades políticas que marcaram a sociedade da época fundamentaram a postura do teórico e ativista político frente às concepções pedagógicas. Refletiram no seu modo de interpretar o sistema educacional, entendendo o papel da escola na composição da sociedade, bem como a sua conduta na compreensão de um sujeito em pleno desenvolvimento. Ao valorizar as emoções Wallon pensava em um sujeito em sinergia com o meio e na escola como um ambiente onde a afetividade, o movimento e o próprio espaço físico se encontravam em comunhão.
Assim como Piaget, também defendia o desenvolvimento humano em fases, no entanto sem estabelecer faixa etária, acreditava no sincronismo da evolução psíquica e biológica. A vista disso, Wallon entendia as emoções como essencialmente originárias desse processo orgânico, por assim dizer, a afetividade surgiria como uma necessidade de resposta ao mundo, à medida que o sujeito interage com o ambiente a sua volta, com o outro, é solicitado a responder positiva ou negativamente.
Dessa maneira, podemos entender, de acordo com FERREIRA e ACIOLY-RÉGNIER: “Assim, em Wallon, a cognição, como a afetividade, brota das entranhas orgânicas e vai adquirindo complexidade e diferenciação na relação dialética com o social.” (2010, p.28)
Considerando as três correntes teóricas é possível concluir que a sua compreensão têm significativa importância para a educação, já que elucidam todo o processo de aprendizagem reservando ao professor o importante papel de mediador. Logo, podemos compreender que tanto a Zona de Desenvolvimento Proximal de Vygotsky, como a lei de Equilíbrio e Desequilíbrio de Piaget, bem como a relação intrínseca entre a afetividade e o desenvolvimento cognitivo proposta por Wallon, trabalham com a possibilidade da formulação de hipóteses, com a problematização do contexto propício ao conhecimento e privilegiam a interação como condição essencial a evolução. Visão essa, que evidencia o protagonismo do aluno na construção do conhecimento, estreita a relação entre educando e educador e delega a escola o importante papel de concentrar a sua ação em uma relação dialética e humanista com esses sujeitos. 


Referências:
FERREIRA, A.L; ACIOLY-RÉGNIER, N.M. Contribuições de Henri Wallon à relação cognição e afetividade na educação. Educ. rev. n. 36, p. 21-38, Curitiba 2010.  
MONTOYA, Adrián Oscar Dongo. Pensamento e linguagem: percurso piagetiano de investigação. Psicol. estud., Maringá, v. 11, n. 1, abr. 2006

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Peixes não sobem em árvores!



Esse vídeo, mesmo espirituoso,  traz de forma explícita alguns dos problemas estruturais presentes na nossa educação, tais como: a existência de uma metodologia que ignora as singularidades dos sujeitos, assim como as estratégias de avaliação e ainda um modelo tanto de ensino, como arquitetônico, absolutamente obsoletos.  E apesar de colocar o professor e a instituição escolar no centro do debate, culpabiliza sobretudo o sistema social. No qual podemos identificar como uma forma de organização antidemocrática ao qual estamos subjugados e que costuma oprimir, classificar e incentivar a competitividade, desprezando as competências individuais, massificando e robotizando os indivíduos, com a finalidade de manter uma ordem que contribuirá com a ideia de produção e demanda. 



sexta-feira, 18 de maio de 2018

John Dewey - Breve Vida e Obra



O Movimento Escola Nova teve princípio no final do século XIX, período de grandes transformações de âmbito social, econômico e político, motivado por concepções contrárias a limitadora pedagogia tradicional, lançou um novo olhar sobre a infância.
Para os estudiosos do movimento, defensores da democracia e liberdade de expressão, a criança era capaz de construir o seu próprio conhecimento e as ações pedagógicas deveriam conduzi-las a essa construção, nesse caso o foco principal deixa de ser o professor e passa a ser o aluno, ele é o centro do processo educativo. Outro aspecto que merece destaque é que para essa corrente de pensamento a educação está vinculada as demandas sociais, nos quais a escola deve se colocar de modo a contextualizar dialogicamente com essas variações.
John Dewey, foi um dos mais influentes teóricos Escolanovista, notável nome da corrente filosófica denominada de pragmatismo, defendia a aprendizagem pela prática. Por intermédio de experiências concretas em um ambiente estimulante, interativo e democrático, capaz de proporcionar situações de cooperatividade,  e que fossem próximas a realidade do aluno. Nesse intento, a a ação pedagógica seria fundamentada no movimento da criança em direção ao conhecimento, fornecendo a ela condições de interagir, interpretar e relacionar o mundo a sua volta.

sábado, 28 de abril de 2018

Animação Cibercultura e Redes Interativas




Em se tratando do uso das tecnologias, podemos concluir que são produtos e ferramentas que evocam conhecimentos e princípios científicos, com finalidades específicas e de grande utilidade por uma determinada cultura, sociedade e/ou época, evidenciando um tipo de linguagem.

A cibercultura que surge a partir da gama de redes interativas, da comunicação por meio virtual desloca-nos a um ciberespaço, que advém das inteligências digitais e corresponde a um lugar de interação que conta com as tecnologias da informação e comunicação à disposição, sem a necessidade da presença física de seus integrantes. Por ser um ambiente que dialoga com diferentes culturas, comunidades e aspectos sociais, na atualidade, constitui-se em um importante instrumento para a implementação de uma sociedade genuinamente democrática.

Essa corresponde a uma característica da educação a distância e as diversificadas técnicas que a compõem podem e devem ser aproveitadas também no cotidiano da escola regular, como salienta o respeitado pesquisador das tecnologias da inteligência Pierre Levy. Dessa forma o pesquisador, sociólogo e filósofo nos adverte para o rumo futuro da educação, no qual acredita que haverá uma espécie de mixagem entre os dois modelos educacionais, uma mistura de elementos da EAD e da escola clássica, que certamente colaborariam para um maior enriquecimento cultural, com uma visão mais abrangente acerca de mundo, interatividade e inclusão já que é aberto a participação de todos, além da descentralização do saber, que movimentariam paradigmas estagnados.

domingo, 8 de abril de 2018

Até onde as cartas podem chegar?


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O que as cartas podem levar? 

Ao vento ou amarradas em pombos elas podem voar;
Em uma garrafa, a todos os oceanos podem navegar;
Escondidas entre livros ou enterradas em baús podem o tempo atravessar;
Toda a inspiração de um coração acelerado, irão te levar;
O máximo que nos distanciem, as minhas cartas irão te alcançar;
Mesmo que não me respondas, o alívio sobre o teu martírio irei derramar;
Entrincheirado, entre bombas, brado e o sangue, a mãe virá com seu o semblante a paz resgatar;
Há quem acredite, e por que irei de duvidar, que o plano material também pode trespassar;
Sim, mesmo do seu lado, um bilhetinho usarei para seu coração tocar;
Lindos atos heroicos na posteridade irão registrar;
Nossa civilização temporal, as ligações de hidrogênio irão assinalar;
Com a escrita de meus  garranchos, minha identidade ali não irá te conturbar;
Sua função não se limita em aproximar, pois meus sentimentos aqui sei melhor demonstrar;
Nas masmorras não chores, ou se sinta aflito, pois do seu sofrimento todos iremos compartilhar.

domingo, 1 de abril de 2018

EAD: Breves Reflexões


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  Ao refletir questões pontuais que permeiam a Educação a Distância articulando-as com a minha experiência nessa modalidade de estudo, percebo a significância da aprendizagem online, em particular, no meu desenvolvimento profissional, operacional, instrutivo e pedagógico. Com a possibilidade de participar de formações paralelas, a plataforma EAD ainda confere ao aluno a atuação principal na construção do seu saber e a expansão do ambiente interacional, já que a ampliação do conhecimento se dá por diferentes domínios, linguagens e tecnologias digitais.
  Compreendendo que a EAD, em articulação com a UAB, viabiliza a formação continuada, em especial para professores, com grande oferta de cursos nas áreas de licenciatura, caracteriza-se dessa forma como uma política pública. Dentre outras singularidades, um dos aspectos que vem a normatiza-la é justamente a sua relevante contribuição com a promoção da educação inclusiva, já que possibilita que o aluno administre o seu período no exercício estudantil, podendo assistir as aulas sem sair de casa, facilitando assim a articulação com outras atividades da sua vida cotidiana, permitindo um maior aproveitamento na administração do espaço/tempo.
  Desse modo a EAD vem a contribuir com a política de redução das desigualdades sociais, rompendo os paradigmas que envolviam o ensino superior, por exemplo. E é nesse sentido que minha maior experiência nesse molde educacional se enquadra, tendo em vista que o curso PEAD/UFRGS, no qual sou integrante, compreende em sua maioria mulheres que buscam a formação continuada de professores, contribuindo dessa forma com a qualificação da educação no país, além de expandir as portas da universidade para as mulheres. Constituindo-se  de certo modo em um caminho oportuno para todos os que se vêm impossibilitados, por diversos motivos, de participar de um curso presencial e/ou que não tiveram a oportunidade de dar continuidade no seu desenvolvimento acadêmico anteriormente.



quarta-feira, 21 de março de 2018

Os excluídos da escola


 Na última segunda-feira 19 de Março de 2018 assisti à terceira aula presencial desse sétimo semestre de curso, dentre outros assuntos discorremos sobre as nossas experiências na docência, sobre a escola que almejamos, incluindo as questões que implicaram nas mudanças que ocorreram na educação e também o que não mudou, o perfil de alunos que temos hoje, bem como sobre pontuais transformações em nossa sociedade que contribuiram com a diversidade atual.
Ao refletir essas alterações tendo por base referências do século passado, é possível perceber um país recém ex-escravagista, ainda com raízes imperialistas, no qual a escola inicialmente não abarcava as minorias sociais, ou seja, negros e indígenas, modestos trabalhadores, os considerados deficientes e as mulheres por muito tempo ficaram fora da escola. Após a crescente industrialização e a partir do movimento Escola Nova que buscava uma maior estabilização social trazendo mudanças profundas na educação como a gratuidade, a obrigatoriedade e laicidade, marcando o início da escola pública. Houve uma série de transformações no cenário educacional brasileiro, depois com a gradual ocupação das mulheres no mercado de trabalho, também as mudanças na economia do país advindas do período de ditadura militar e pós ditadura, assim como a democratização do país, enfim a Constituição de 1988 e a inclusão das pessoas com deficiência. De lá para cá foram muitas as alterações de âmbito social que trouxeram mudanças para a esfera educacional, sem mencionar as mediações das variadas correntes no campo da psicologia, da filosofia, da neuropsicolinguística e epistemologias. E hoje ainda temos o avanço tecnológico e midiático, que acarretam em outras implicações, no qual a escola tenta se moldar para conseguir compreender as exigências da nova geração.
Entretanto o aparente progresso concernente a modernização da comunicação com o uso das tecnologias, não eliminou os problemas anteriores do quadro da educação do nosso país, como a questão da evasão escolar, por exemplo, que ainda possui taxas elevadas e destaca-se como um dos grandes desafios enfrentados pela educação brasileira. Na totalidade das séries do Ensino Médio esse número chega a 11,2%, segundo dados coletados nos anos de 2014 e 2015 e divulgados pelo INEP.  Sabemos que são inúmeras as situações que acarretam na evasão escolar, entre elas estão à repetência, à necessidade de trabalhar, a maternidade precoce, a falta de transporte, entre outras.
É então que entra a EJA, como uma reparação social, histórica, política, econômica e cultural, para abraçar esse público que coincidentemente ou não é o mesmo que mencionei no início desse texto, sim os excluídos da escola. Embora já tenha ouvido de colegas que jovens abandonarem a escola regular diurna para estudarem a noite virou modismo, essa ainda é uma questão que só acontece nas camadas de maior vulnerabilidade social. E não há como pensarmos na Educação de Jovens e Adultos sem nos reportarmos ao nosso patrono Paulo Freire, com sua Pedagogia do Oprimido, que com um método de educação humanitária revoluciona as práticas pedagógicas evidenciando o protagonismo do aluno no processo de ensino aprendizagem. A proposta de Freire que tem como premissa a análise do contexto histórico, político, social e cultural de cada indivíduo é prestigiada em diversos países do mundo, lhe rendendo o título de um dos mais notáveis pensadores da história da pedagogia.
Bom, concluindo essa foi uma breve reflexão acerca de alguns tópicos que podemos colocar em pauta quando nos reportamos ao nosso cenário educacional, como no caso da EJA que será um dos temas tratados no semestre.
Resultado de imagem para paulo freire eja


http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/inep-divulga-dados-ineditos-sobre-fluxo-escolar-na-educacao-basica/21206

sábado, 10 de março de 2018

Escolas democráticas



Iniciamos o semestre, no dia 05 de Março, com a aula presencial do Seminário Integrador Eixo VII, após algumas considerações a respeito do desenrolar das atividades ao longo do ano, desencadeamos um debate  acerca do curta metragem "Escolas Democráticas", uma animação produzida por Ellen Stein, parte do documentário "Democratic Schools" de Jan Gabbert (2006). Apesar do nome sugerir a aplicação de uma pedagogia libertária, o astucioso filme retrata o cotidiano de uma educação costumeiramente praticada ainda na atualidade.
A pedagogia diretiva ou a educação bancária, assim denominada na teoria de Paulo Freire e explicitamente abordada no curta, é inegável que persiste se fazendo aparente em muitas das nossas escolas. Esse modelo educacional aborta a construção do conhecimento bem como o raciocínio crítico, pois entende a criança como um mero depósito de informações, massificando o pensar. Mais especificamente, o movimento em fila das crianças pela escola demostrado na animação, me remeteu também ao clip da música "Another brick in the wall" (Pink Floyd), tal como a minha publicação anterior, no qual expõe a escola como uma fábrica e crianças sendo preparadas como se fossem mercadorias. E ainda após dialogarmos, a Alessandra Thornton e eu, correlacionamos o referido filme com o texto de Júlia Varela e Fernando Alvarez Uria, a " Maquinaria Escolar", que nos permite ter uma visão histórica-social de como a escola vem se alicerçando em nossa sociedade, de modo que podemos compreender que a sua aparente estagnação é deliberadamente articulada pelo topo dessa cadeia de produção. Refletindo assim, no modo de vida atual como, por exemplo, a alienação e supervalorização do consumo, acarretando em outras mazelas que nos afligem enquanto coletividade, mas que aquecem o mercado e aqueles que dele se comprazem.
Palavras como rotina, tempo, repetição, desmotivação e restrição, surgiram em nossa conversa objetivando designar o que havíamos assistido, tristemente elas não se detêm apenas a animação, certamente já foram vivenciadas por todas nós. A questão agora, e creio que seja o objetivo desta atividade, é analisarmos essas vivencias articulando com o aporte teórico estudado, buscando construirmos o nosso posicionamento crítico reflexivo, amadurecendo o nosso olhar, a nossa escrita acadêmica, assim como a nossa postura discente, profissional e como sujeitos parte da engrenagem da máquina social.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Pink Floyd - Another Brick In The Wall (HQ)



      Encerrando o semestre com o clássico do Pink Floyd, que de forma provocante, ao melhor estilo rock and roll, retrata o ponto culminante da educação tradicional, pedagogia diretiva. Que por sua vez, ignorava a singularidade de cada indivíduo, tentando massificar o pensamento como se pessoas fossem produtos. No entanto apesar desse contexto ser diferente do atual cenário educacional, essa linha conservadora ainda tem raízes remanescentes, mesmo que num grau menos agressivo mas não menos prejudicial, retardando o desenvolvimento social de países que seguem as políticas neoliberais, por exemplo. Que entendem a escola como uma mera fábrica para a mão de obra, abortando a autonomia e o pensamento crítico tão essenciais a promoção da cidadania.

sábado, 15 de julho de 2017

DANTON. O Processo da Revolução



    Dentro do contexto medieval floresceu as raízes do pensamento iluminista resgatando os ideais dos conceitos clássicos,  revolucionando, por assim dizer, o pensamento da época. A visão de um ser criador e supremo aos poucos foi trocada por conceitos e características humanas. O homem num passo de mágica passou não só a ser o centro do mundo, como também o centro do universo.  A concepção de ciência abalou os conceitos da crença e por assim dizer religiosos, o homem controlava o seu próprio destino. Assim como na obra de Cervantes, onde Quixote nos deparou com a moral e o imoral, o certo e o errado, ou seja, com as fragilidades humanas. Entretanto como distinguir o são do insano, até onde a utopia e o desejo de perfeição humana poderia almejar,  nós seríamos produto de uma criação divina ou seriamos divinos por nós mesmos? Essas questões foram a base e a essência do pensamento iluminista, que até hoje indagam e atormentam a mente humana. 
    Até onde o nosso conservadorismo ou nossa visão progressista pode chegar? Até onde pode barrar o nosso progresso democrático? Qual seria o limite para as razões e concepções humanas? O quanto uma democracia criada a mais de dois milênios atrás pode influir em nosso desenvolvimento? Como podemos extrair o que há de melhor em nossos antepassados ou usufruir daquilo que nos deixaram? Qual seria a razão de nossa existência, talvez, acredito, a resposta esteja em uma concepção histórica de nós mesmos.  
     O filme em questão nos deixa explicito o quanto o radicalismo de nossos ideais, mesmo que democráticos, pode nos transformar em homens involutivos. Contudo, instantaneamente tudo o que acreditamos poderá se transformar num engodo da realidade do que idealizamos.  Assim apesar de nossas concepções comunitárias, não podemos negar que nossos valores individualistas tiveram uma incrível significância para o nosso desenvolvimento social, no entanto foi a nossa natureza coletiva que acarretou em notáveis mudanças em prol da nossa sociedade.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sintetizando alguns conceitos

           Em nossa última aula presencial, com as interdisciplinas de Organização e Gestão da Educação e Organização do Ensino Fundamental, realizamos uma atividade em grupo precedida de um diálogo de desfecho com o grande grupo, elencando pontos importantes que foram debatidos ao longo do semestre. Conforme o cartaz abaixo, desenvolvido em aula, é possível observar alguns dos conceitos estruturantes que permearam os nossos debates concernentes a Educação, bem como a cidadania e as políticas que a envolve.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

PECULIARIDADES DE UMA ORGANIZAÇÃO CHAMADA ...

Imagem relacionadaAo adentrar no tema gestão democrática percebemos as fragilidades que acompanham a organização escolar e de como é necessário compreender para que algo se torne efetivo. Sendo assim a concepção errônea ou a falta dela no que diz respeito à democracia, inviabiliza o processo de construção da escola nesse sentido (ser um ambiente democrático). Enfraquecendo as ações que buscam a sua emancipação, bem como a das partes envolvidas, inclusive a essencial e real promoção cidadania.  Entretanto, em de acordo com as idéias estabelecidas nos textos disponibilizados pela interdisciplina, a democratização do ambiente escolar é um processo gradual de conscientização.  Tendo em vista a progressiva formação ideológica que envolve a concepção tanto da democracia quanto da cidadania, estando as duas intrinsecamente ligadas, a escola exerce um crucial papel formador e transformador dessa realidade.
Para os profissionais da educação (especialmente os atuantes na Ed. Infantil Canoense) fica claro que em diversos momentos, mesmo com um discurso disfarçadamente democrático, a gestão escolar ainda conserva características patrimonialistas, centralizando ações e o poder de decisão, burocratizando o acesso a informações, entre outros. Essa concepção torna-se evidente ao analisarmos que: “Há todo um discurso democrático e de inserção da comunidade no processo decisório, mas ainda não foram criadas condições para que essa prática se efetive.” Galina e Carbello (2008, p. 11)
Na minha escola de atuação, por exemplo, a gestão não é eleita tão pouco é clara a necessidade de uma eleição para o conselho escolar, ou seja, ainda não compreendem o princípio democrático, como se a escola pertencesse a “alguns”, os “escolhidos" ou indicados. Torna-se perceptível que essa é uma forma de desmoralizar concepções contraditórias e de enfraquecer a compreensão sobre o real papel tanto do gestor como do conselho escolar.
Sendo a mobilização da participação ativa e colaborativa de todos os segmentos da comunidade escolar uma das principais características da gestão democrática, o Conselho Escolar a eles deveria representar, e não se colocar a sombra do gestor. No entanto se essa á forma como momentaneamente se configura a situação da organização escolar, esse também é o modo como foram construídas as suas relações até o momento. Essa reflexão pode ser mais bem compreendida se pensarmos que:
“(...) não existe um Conselho no vazio, ele é o que a comunidade escolar estabelecer, construir e operacionalizar. Cada conselho tem a face das relações que nele se estabelecem. Se forem relações de responsabilidade, de respeito, de construção, então, é assim que vão se constituir as funções deliberativas, consultivas e fiscalizadoras. Ao contrário, se forem relações distanciadas, burocráticas, permeadas de argumentos, tais como:” já terminou meu horário”, “ este é meu terceiro turno de trabalho”, “vamos terminar logo com isto”, “não tenho nada a ver com isto”, com que legitimidade o conselho vai deliberar ou fiscalizar?!” Werle (2003, p.60) 

Constituindo-se como a principal ferramenta que predispõe uma administração democrática a comunicação que consiste não somente em falar, mas ouvir a todos de forma respeitosa, interativa e esclarecedora é a forma como um gestor escolar deve colocar-se a fim de mobilizar e incentivar a participação dos segmentos que compõem a comunidade escolar. Quando não age dessa forma, não creditando a importância devida aos apelos dos sujeitos envolvidos, subordinando-se as determinações de ordens superiores, desconfigura a sua autonomia administrativa, bem como a autonomia da instituição como um todo. Isso normalmente acontece em uma gestão não eleita ou quando há uma confusão quanto à compreensão do que difere uma administração escolar e uma administração empresarial. Concordando com a colocação das autoras:Essa pseudo-autonomia do diretor é também uma síntese da pseudo-autonomia da própria escola.” Galina e Carbello (2008, p. 11)
Concluindo, as leis que normatizam a educação brasileira, evidenciam que a escola deve constituir-se em um ambiente de gestão democrática, de participação ativa, que deve proporcionar condições favoráveis a construção do conhecimento, atuando de forma a promover a autonomia e a cidadania. Todavia a administrabilidade escolar esbarra em muitas questões de cunho organizacional que quando a gestão não as coloca transparentes, não busca o apoio das organizações colegiadas, tão importantes, pois representam a voz da escola. E deixa de promover a participação não se preocupando em representar todos os segmentos da comunidade escolar, fere gravemente a Constituição, a democracia e viola o princípio da cidadania, descaracterizando a instituição como emancipadora.



Referências Bibliográficas:

GALINA, Irene de Fátima; CARBELLO, Sandra Regina Cassol. Instâncias colegiadas: espaços de participação na gestão democrática da escola pública. [s.d.]. Disponível em http://moodle3.mec.gov.br/ufrgs/file.php/47/Projeto_Vivencial/PV2- leituras/Carbello%20e%20Galina%20-%20INST%C2NCIAS%20COLEGIADAS.pdf> Acesso em 30 out. 2015.


MARTINS, Gisele Bervig; FOSSATTI, Paulo; SILVA, Juliana Cristina. Os Conselhos Escolares e sua atuação pedagógica na perspectiva de uma gestão democrática. Disponível em https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2018289/mod_resource/content/1/eixo4_GISELE-BERVIG-MARTINS-PAULO-FOSSATTI-JULIANA-CRISTINA-DA-SILVA%20%281%29.pdf

terça-feira, 20 de junho de 2017

Escola ou fábrica?

   Atuando na Ed. Infantil, municipal, em vários momentos percebo a escola (sem distorção da realidade) principalmente a creche, como um depósito/fábrica de crianças. Isso por que crianças tão pequenas acabam sendo submetidas ao cumprimento rígido de horários (refeições, sono, atividades, etc) e ainda muitas chegam a ficar doze horas dentro da instituição, assemelhando-se a rotina de um trabalhador de fábrica. A escola, o lugar que se destina a proporcionar condições para o amplo desenvolvimento cognitivo, motor e afetivo, que deveria ser um lugar feliz, muitas vezes torna-se cansativo e austero. 
 Compreendo a necessidade dos pais de trabalhar e da rotina sobrecarregada de muitas de mães de família, até por que me enquadro nesse perfil (filhos, trabalho, casa), porém é fácil perceber o quanto o mercado  e suas "necessidades" acabam por engolir a sociedade, vivemos em função do capital. E este não visa compreender a educação, muito menos as crianças e nesse sentido perdemos muito, a criança tantas horas dentro da escola perde o vínculo familiar tão importante aos primeiros anos de vida e também acaba por perder o prazer de estar na escola. A família perde a convivência com a criança, os professores perdem o prestígio, a escola perde a sua função e a sociedade perde em humanidade.
 Entretanto é preciso buscar soluções para driblar essa realidade, uma forma é compreender os mecanismos que a envolve. As leituras disponibilizadas pela interdisciplina de Organização e Gestão da Educação nos trouxeram conceitos significativos para a compreensão do sistema no qual estamos inseridos, uma vez que esse conhecimento nos auxilia na luta por uma educação mais qualificada, onde todos possam ganhar.
  A começar pela gestão, que em muitos municípios ainda preservam características patrimonialistas, principalmente na Ed. Infantil,indo contra aos princípios da LDBEN. A democratização da escola é um direito ao qual não devemos abrir mão, pois somente pelo viés democrático é possível garantir a cidadania e a genuína emancipação.
“A escola, enquanto instituição social, é parte constituinte e constitutiva da sociedade na qual está inserida. Assim, estando a sociedade organizada sob o modo de produção capitalista, a escola, enquanto instância dessa sociedade contribui tanto para a manutenção desse modo de produção, como também para a sua superação, tendo em vista que é constituída por relações sociais contraditórias.”( OLIVEIRA, et al)

OLIVEIRA, J. F., MORAIS, K. N., DOURADO, L.F. Organização da Educação Escolar no Brasil na Perspectiva da Gestão Democrática: Sistemas de Ensino, Órgãos Deliberativos e Executivos, Regime de Colaboração, Programas, Projetos e Ações. Disponível em: https://moodle.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=1224468. Acesso: 31 de mai. 2017.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Históricas Desigualdades

Na interdisciplina de Organização e Gestão da Educação vimos alguns conceitos estruturantes correlacionados a escola pública e a democratização do ensino, objetivando um maior entendimento a fim de orientar as nossas práxis. Dentre esses conceitos chaves, escolhi fazer um paralelo com um problema estrutural e de proporção extremamente preocupante em nosso país, a desigualdade.
Caracterizada pela histórica diferença de condições entre determinados seres. Sendo de questão relevante também na atualidade, em vista da decorrente e crescente desigualdade social e econômica que assola ao mundo todo.
Visto que vivemos em uma sociedade predominantemente capitalista, cujo prevalece o domínio do capitalismo neoliberal, que tem por particularidade o “empoderamento” do mercado, soberania do sistema financeiro e o livre comércio entre as fronteiras. Nessa doutrina política o mercado tem “poder” e total liberdade, sem qualquer limitação, tendo em vista que o preceito antagônico, que ficou característico por toda guerra fria teve seu desfecho no fim dos anos oitenta, podendo trazer sérias conseqüências para a sociedade a nível mundial, levando inclusive a sua autodestruição. O que BAUMAN esclarece:
“O mercado é ótimo em criar demanda para os seus produtos, em distribuir fundos. Porém pode ser autodestrutivo. Para evitar que seja autodestrutivo existe a política (...)” (Zygmunt Bauman)

A partir dos anos noventa até atualmente, não há como falar em desigualdades sem citar o neoliberalismo, pois as desigualdades sociais e econômicas (problemas tão penosos para a sociedade em geral) são frutos da sua exacerbação. Constituindo em uma forma de limitar as ações do Estado, em detrimento com a delicada e resistente democracia, tanto economicamente quanto juridicamente. O neoliberalismo transfere para o setor privado as atividades que podem ser controladas pelo mercado, ou seja, coloca o poder nas mãos de grandes corporações. O que acarreta na diminuição de repasses para as políticas sociais, na terceirização de serviços públicos, em privatizações, na publicização e ainda na quebra da barreira econômica entre os países envolvidos, dessa forma sobrepõe-se o que tiver maior poder ou capacidade econômica. Essa reflexão pode ser aprofundada com a seguinte citação:

“Estado máximo para o capital e mínimo para as políticas sociais” (PERONI, 2003)

O Brasil, em especial, é um dos países mais desiguais do mundo, configura-se em 10º lugar, segundo dados divulgados no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), elaborado pelas Nações Unidas. Divulgado pela revista O GLOBO.
A desigualdade social determinada na diferença de poder aquisitivo compreende diversos aspectos como a desigualdade de oportunidades, de mercado de trabalho, de acesso ao conhecimento, de gênero, por exemplo. Normalmente transformando-se na desigualdade econômica, caracterizada pela clara discrepância na distribuição de rendas, a concentração da riqueza na minoria da população enquanto há a predominância da pobreza.
As profundas cicatrizes das desigualdades, marcadas através dos séculos, não tiveram o adequado tratamento. Por isso, ainda hoje, se faz presente em nossa sociedade os reflexos dos danos deixados pelas feridas, de uma época tenebrosa, que ainda nos enferma como civilização. A marca deixada na época da escravidão negreira nos assola ainda hoje. E não coincidentemente, na tabela acima temos doze países africanos. Na verdade, até mesmo os países da América Latina, citados na tabela, tem como origem de suas desigualdades a omissão da condição dos negros após o fim do período de escravidão negreira, assim também, como as condições dos povos ameríndios. Por tamanha complexidade e densidade esse é um tema que nos permite adentrar por nossa historicidade e desmembrar vários aspectos de nossa sociedade.
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Referências:
. Políticas Públicas e gestão da educação em tempos de redefinição do papel do Estado. Texto apresentado na Anped Sul, 2008 (CD) artigo disponível em http://www.ufrgs.br/faced/peroni