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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Didática Magna: Considerações

Resultado de imagem para FOTO COMENIONa semana anterior realizamos uma atividade da interdisciplina de Didática, na qual tínhamos que desenvolver um pequeno texto relacionando o material proposto a respeito do educador, filósofo e cientista Comênio a algumas ideias presente no contexto educacional atual.
Sendo assim trago aqui alguns dos princípios abordados nas leituras propostas:
Considerando que a didática é uma prática de ensino, o pensador ao desenvolver a sua didática Magna, queria com isso propor uma grande ferramenta orientadora para o ensino, uma espécie de tratado a ser adotado por todas as instituições. acreditava no melhor do ser humano, foi o primeiro teórico a contribuir com a visão da criança que temos hoje, propondo o respeito a sua individualidade, seus sentimentos e a sua capacidade cognitiva. Ele acreditava que o período infantil era o momento ideal, se não o único, que melhor possibilitava a aprendizagem, inclusive o desenvolvimento moral. Reconhecia que a escola deveria ser para todos (meninos, meninas, deficientes) e resgatar a boa natureza humana.
“Tudo para todos!”
Essa era a epígrafe proferida por Comênio, acerca de meio milênio, mas inacreditavelmente ela nos soa como um clamor atual. Nada mais democrático do que pensar dessa forma, no entanto a luta pela democratização do ensino ainda é uma constante, tendo em vista a explícita desigualdade de oportunidades que ainda circunda o contexto educacional atual. De acordo com Demerval Saviane o Brasil ainda vive no século XXI impasses que perduram desde os séculos anteriores: “(...)precisamos organizar e instalar um sistema de ensino capaz de universalizar o ensino fundamental e, por esse caminho, erradicar o analfabetismo. (p. 53)”
Comênio apesar de pertencer a uma organização religiosa, cristã protestante, contestava o sistema medieval, era contra os princípios educacionais propostos pela igreja, a doutrina escolástica, o academicismo literário e o sarcasmo pedagógico.
Dessa forma defendia que a escola deveria oferecer as crianças a oportunidade de manipular diferentes materiais e com isso as levar a desfrutar de experiências mais concretas, promovendo estímulos aos sentidos, também assinalava a necessidade de experiências através do brincar. Como um humanista, o pensador tcheco, também propunha a valorização da natureza histórico-social da criança e adotava o empirismo como método de ensino.
Em vista desses elementos, podemos arriscar a dizer que a pedagogia proposta por Comênio se aproxima muito da visão mais moderna que se tem do ensino. Tendo revolucionado os paradigmas educacionais da sua época, certamente contribuiu com as concepções atuais, principalmente ao ver no educando um ser capaz e a buscar aproximá-lo da vida prática em sociedade.
Concluindo, o pai da didática, apesar da grande influência religiosa na extensão das suas idealizações, sem dúvida foi um libertário no seu tempo, defendendo questões que ainda hoje se tenta colocar em prática na sala de aula, como o incentivo a autonomia, a diversidade de experiências, o uso de tecnologias variadas, o aluno como sujeito operante na aquisição do conhecimento, a boa relação professor-aluno, a realidade social presente na escola, entre outros elementos contemporâneos facilmente identificados e até o presente examinados.
Referências:
DOLL, Johannes; ROSA, Russel Teresinha Dutra da. A metodologia tem história. In: _______ (orgs.). Metodologia de Ensino em Foco: práticas e reflexões. Porto Alegre: UFRGS, 2004, p.26-29
GASPARIN, João Luiz. Comênio ou da arte de ensinar tudo a todos. Campinas: Papirus, 1994. p. 41-42.
SAVIANI, Dermeval et al. O legado educacional do século XX no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2004. 224 p.
https://moodle.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=1466752 (disponível no moodle)
https://moodle.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=1466754(disponível no moodle)

domingo, 1 de abril de 2018

EAD: Breves Reflexões


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  Ao refletir questões pontuais que permeiam a Educação a Distância articulando-as com a minha experiência nessa modalidade de estudo, percebo a significância da aprendizagem online, em particular, no meu desenvolvimento profissional, operacional, instrutivo e pedagógico. Com a possibilidade de participar de formações paralelas, a plataforma EAD ainda confere ao aluno a atuação principal na construção do seu saber e a expansão do ambiente interacional, já que a ampliação do conhecimento se dá por diferentes domínios, linguagens e tecnologias digitais.
  Compreendendo que a EAD, em articulação com a UAB, viabiliza a formação continuada, em especial para professores, com grande oferta de cursos nas áreas de licenciatura, caracteriza-se dessa forma como uma política pública. Dentre outras singularidades, um dos aspectos que vem a normatiza-la é justamente a sua relevante contribuição com a promoção da educação inclusiva, já que possibilita que o aluno administre o seu período no exercício estudantil, podendo assistir as aulas sem sair de casa, facilitando assim a articulação com outras atividades da sua vida cotidiana, permitindo um maior aproveitamento na administração do espaço/tempo.
  Desse modo a EAD vem a contribuir com a política de redução das desigualdades sociais, rompendo os paradigmas que envolviam o ensino superior, por exemplo. E é nesse sentido que minha maior experiência nesse molde educacional se enquadra, tendo em vista que o curso PEAD/UFRGS, no qual sou integrante, compreende em sua maioria mulheres que buscam a formação continuada de professores, contribuindo dessa forma com a qualificação da educação no país, além de expandir as portas da universidade para as mulheres. Constituindo-se  de certo modo em um caminho oportuno para todos os que se vêm impossibilitados, por diversos motivos, de participar de um curso presencial e/ou que não tiveram a oportunidade de dar continuidade no seu desenvolvimento acadêmico anteriormente.



quarta-feira, 21 de março de 2018

Os excluídos da escola


 Na última segunda-feira 19 de Março de 2018 assisti à terceira aula presencial desse sétimo semestre de curso, dentre outros assuntos discorremos sobre as nossas experiências na docência, sobre a escola que almejamos, incluindo as questões que implicaram nas mudanças que ocorreram na educação e também o que não mudou, o perfil de alunos que temos hoje, bem como sobre pontuais transformações em nossa sociedade que contribuiram com a diversidade atual.
Ao refletir essas alterações tendo por base referências do século passado, é possível perceber um país recém ex-escravagista, ainda com raízes imperialistas, no qual a escola inicialmente não abarcava as minorias sociais, ou seja, negros e indígenas, modestos trabalhadores, os considerados deficientes e as mulheres por muito tempo ficaram fora da escola. Após a crescente industrialização e a partir do movimento Escola Nova que buscava uma maior estabilização social trazendo mudanças profundas na educação como a gratuidade, a obrigatoriedade e laicidade, marcando o início da escola pública. Houve uma série de transformações no cenário educacional brasileiro, depois com a gradual ocupação das mulheres no mercado de trabalho, também as mudanças na economia do país advindas do período de ditadura militar e pós ditadura, assim como a democratização do país, enfim a Constituição de 1988 e a inclusão das pessoas com deficiência. De lá para cá foram muitas as alterações de âmbito social que trouxeram mudanças para a esfera educacional, sem mencionar as mediações das variadas correntes no campo da psicologia, da filosofia, da neuropsicolinguística e epistemologias. E hoje ainda temos o avanço tecnológico e midiático, que acarretam em outras implicações, no qual a escola tenta se moldar para conseguir compreender as exigências da nova geração.
Entretanto o aparente progresso concernente a modernização da comunicação com o uso das tecnologias, não eliminou os problemas anteriores do quadro da educação do nosso país, como a questão da evasão escolar, por exemplo, que ainda possui taxas elevadas e destaca-se como um dos grandes desafios enfrentados pela educação brasileira. Na totalidade das séries do Ensino Médio esse número chega a 11,2%, segundo dados coletados nos anos de 2014 e 2015 e divulgados pelo INEP.  Sabemos que são inúmeras as situações que acarretam na evasão escolar, entre elas estão à repetência, à necessidade de trabalhar, a maternidade precoce, a falta de transporte, entre outras.
É então que entra a EJA, como uma reparação social, histórica, política, econômica e cultural, para abraçar esse público que coincidentemente ou não é o mesmo que mencionei no início desse texto, sim os excluídos da escola. Embora já tenha ouvido de colegas que jovens abandonarem a escola regular diurna para estudarem a noite virou modismo, essa ainda é uma questão que só acontece nas camadas de maior vulnerabilidade social. E não há como pensarmos na Educação de Jovens e Adultos sem nos reportarmos ao nosso patrono Paulo Freire, com sua Pedagogia do Oprimido, que com um método de educação humanitária revoluciona as práticas pedagógicas evidenciando o protagonismo do aluno no processo de ensino aprendizagem. A proposta de Freire que tem como premissa a análise do contexto histórico, político, social e cultural de cada indivíduo é prestigiada em diversos países do mundo, lhe rendendo o título de um dos mais notáveis pensadores da história da pedagogia.
Bom, concluindo essa foi uma breve reflexão acerca de alguns tópicos que podemos colocar em pauta quando nos reportamos ao nosso cenário educacional, como no caso da EJA que será um dos temas tratados no semestre.
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http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/inep-divulga-dados-ineditos-sobre-fluxo-escolar-na-educacao-basica/21206