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sábado, 9 de setembro de 2017

Filme - Avaeté, Semente da Vingança (1985) VHSRip



Indico para complementação de estudos das interdisciplinas nesse semestre, o filme "Avaeté, Semente da Vingança", no qual considero como um dos melhores filmes nacionais, dirigido por Zelito Viana, onde apesar de contar com a excelente atuação de atores renomados como Hugo Carvana e Renata Sorrah, não se encontra divulgação na grande mídia nacional.
Lançado em 1985 esse filme, infelizmente, retrata um tema ainda atual aqui no Brasil: o massacre de povos indígenas para a ocupação ilegal de suas terras por garimpeiros.
O episódio mais recente ocorreu a um mês e é possível encontrar aspectos muito semelhantes ao filme, com destaque para a atuação ou omissão da grande mídia corporativa nacional com esse tipo de assunto, onde mais uma vez as denuncias vieram dos meios de comunicação internacionais. Com o diferencial de que hoje temos as redes sociais, onde é possível encontrar sites que prezam a responsabilidade social como o Carta Capital e a Rede TVT, que divulgaram amplamente o caso em suas redes. Até onde se sabe esse massacre, ocorrido no Vale do Javari, seria maior que os yanomami de 1993, no qual também teve denuncia por meio das mídias internacionais.
Tristemente o nosso país fecha os olhos para os excluídos e muitos casos bárbaros, como esse, ainda seguem impunes.








quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Resistência e Cultura

    Iniciamos a semana presencial com as interdisciplinas Seminário Integrador Vl e Questões Étnicas Raciais: Sociologia e História, essa primeira aula nos levou a reflexão dos tópicos que irão permear o semestre. Como a compreensão dos termos raça e etnia na educação, educação inclusiva, abordando conceitos sociais e históricos. Inserido nessa temática também está o preconceito (por vezes velado), que cruelmente insiste em se fazer presente corroendo as estruturas da nossa sociedade.
   Realizamos ainda uma atividade que consistiu em identificarmos alguma situação próxima envolvendo esse tema e representa-la para o grande grupo. A colega Alessandra Thornton e eu optamos por abordar uma questão mais própria da nossa realidade, na qual em diversos momentos presenciamos ou até mesmo a sentimos na pele: o preconceito à Mulher. Tendo em vista que atravessa séculos com a mesma desumanidade atingindo a todas as suas representantes, independente de raça, etnia, contextos ou condição social.
     Abaixo segue o esboço dessa tarefa realizada em aula, no qual sugere palavras que corriqueiramente são expressadas maliciosamente e de forma ofensiva ao gênero feminino.


     Também falamos de poesia, de grandes nomes como Carolina Maria de Jesus, Mia Couto, Eduardo Galeano, Hilda Hilst, Caio Fernando Abreu, Daniel Munduruku entre outros, que tanto empenharam-se ou ainda dedicam-se a poeticamente elucidar questões de cunho étnico, político, moral, social e racial. Contudo, em análise do contexto histórico-social ao qual estavam inseridos observa-se que  muitos viveram sob repressão, em uma época onde pessoas eram torturadas, exiladas e até mesmo assassinadas simplesmente por exprimirem através da sua arte sua visão crítica social e cultural.





sábado, 15 de julho de 2017

DANTON. O Processo da Revolução



    Dentro do contexto medieval floresceu as raízes do pensamento iluminista resgatando os ideais dos conceitos clássicos,  revolucionando, por assim dizer, o pensamento da época. A visão de um ser criador e supremo aos poucos foi trocada por conceitos e características humanas. O homem num passo de mágica passou não só a ser o centro do mundo, como também o centro do universo.  A concepção de ciência abalou os conceitos da crença e por assim dizer religiosos, o homem controlava o seu próprio destino. Assim como na obra de Cervantes, onde Quixote nos deparou com a moral e o imoral, o certo e o errado, ou seja, com as fragilidades humanas. Entretanto como distinguir o são do insano, até onde a utopia e o desejo de perfeição humana poderia almejar,  nós seríamos produto de uma criação divina ou seriamos divinos por nós mesmos? Essas questões foram a base e a essência do pensamento iluminista, que até hoje indagam e atormentam a mente humana. 
    Até onde o nosso conservadorismo ou nossa visão progressista pode chegar? Até onde pode barrar o nosso progresso democrático? Qual seria o limite para as razões e concepções humanas? O quanto uma democracia criada a mais de dois milênios atrás pode influir em nosso desenvolvimento? Como podemos extrair o que há de melhor em nossos antepassados ou usufruir daquilo que nos deixaram? Qual seria a razão de nossa existência, talvez, acredito, a resposta esteja em uma concepção histórica de nós mesmos.  
     O filme em questão nos deixa explicito o quanto o radicalismo de nossos ideais, mesmo que democráticos, pode nos transformar em homens involutivos. Contudo, instantaneamente tudo o que acreditamos poderá se transformar num engodo da realidade do que idealizamos.  Assim apesar de nossas concepções comunitárias, não podemos negar que nossos valores individualistas tiveram uma incrível significância para o nosso desenvolvimento social, no entanto foi a nossa natureza coletiva que acarretou em notáveis mudanças em prol da nossa sociedade.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Alegre Porto

Tu és meu refúgio adorado
Meu Rio Grande miscigenado
De cultura e tradições

Desejo em ti liberdade
Ao contemplar
Os pombos e os quilombos
Que lutam para assim estar

Minhas pernas tantas vezes cansadas
De tamanhas caminhadas 
E é nos poemas de Quintana que me sinto abraçada
Minha Porto Alegre querida

Num suspiro sigo em frente
Pronta para o combate novamente
E assim em passos que se alternam
Entre curtos e largos 
Meus pensamentos voam ao vento 
Perdidos na hora

Ah, o tempo,
O tempo se esvai outra vez.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Home HD (Português, narrado por Eduardo Rêgo)



Documentário lançado em 2009, produzido pelo jornalista, fotógrafo e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand. O filme é composto por belíssimas imagens aéreas, de vários lugares da Terra. Entretanto além da diversidade em nosso planeta ele aponta as ameaças ao equilíbrio da vida e os danos que a humanidade vem fazendo a sua própria casa. Até quando o nosso planeta irá suportar o estilo de vida dos povos dominantes?

Os indígenas e a vida sustentável

“O indivíduo deve buscar compreender e conhecer ao máximo o funcionamento da natureza, não para dominá-la e controlá-la, mas para seguir e respeitar sua lógica, seus limites e potencialidades em benefício de sua própria vida enquanto ser preferencial e privilegiado na criação. O saber é mais do que querer criar ou saber dizer, é saber fazer, baseado em conhecimentos acumulados no decorrer da vida.” (LUCIANO, Gersem dos Santos – Baniwa)
            A visão da totalidade do mundo, defendida pelos povos indígenas, advêm da coletividade em que vivem. Esses povos compreendem a necessidade de viver em harmonia com a natureza, sabem como aproveitar e extrair os seus recursos sem prejuízo, garantindo que os mesmos sempre estejam disponíveis. Pois eles, talvez mais do que os outros povos, atualmente têm plena ciência dos erros cometidos no passado e compreendem o quanto erraram quando trocaram sua floresta por artefatos e ferramentas fundidas a ferro, como por exemplo, o machado. Instrumento que contribuiu inclusive com a quase extinção do pau-brasil, árvore que supostamente deu nome ao nosso país.
Nos dias atuais ainda existem muitos conflitos envolvendo as terras indígenas, como o caso da Fazenda Ivu, pertencente aos povos Kaiowá guaranis, que juntamente de outras tribos vivem constantes conflitos com madeireiras ou grandes latifundiários, que ilegalmente exploram suas terras. Talvez a maior simbologia dos povos indígenas, no que tange a compreensão que tinham da terra e a sua relação com a natureza, se encontra hoje na entrada da sede do Green peace. O documento seria uma carta de desabafo que cacique Seatle, do povo Suquamish, escreveu em 1855 em resposta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce) com relação à compra das suas terras. A tal carta acabou sendo compreendida por muitos ambientalistas com o primeiro registro de defesa ambiental. Em um dos trechos encontra-se uma passagem que diz: "O que fere a terra fere também os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.” O nome do chefe Seatle, como é conhecido, acabou inclusive batizando a maior cidade do Estado de Washington nos EUA.
Ao viver de forma a priorizar a vida, as comunidades indígenas consideram os conhecimentos difundidos ao longo da sua constituição, valorizam seus ancestrais, considerando os métodos que funcionam. Pois essa funcionalidade, baseada no respeito à ordem natural da vida, provém do conhecimento associado à prática. O texto “O índio brasileiro” aponta a importância de se desconstruir a idéia de que os índios não conseguem assegurar a sua própria sobrevivência. A fim de contribuir para essa desmistificação, trago para exemplo à história dos imigrantes peregrinos ingleses que aportaram nos EUA no ano de 1620, cujo sem mantimentos o suficiente, metade da colônia morreu de fome durante o inverno. Não fosse pelos índios Wampanoag locais terem lhes ensinado o cultivo do milho, da batata e outras culturas, o restante também teria perecido.  Sobreviveram então graças aos ensinamentos desses indígenas, e a posterior fartura nas colheitas originou o tradicional “Dia de Ação de Graças” estadunidense.
Concluindo, o modo individualista e egoísta em que ainda vivemos não compreende um estilo de vida sustentável, já enfatizado por especialistas no assunto. Colocando a riqueza material em primeiro lugar abarcamos outras culturas, em detrimento das mesmas e da terra. Como é o caso também das comunidades quilombolas do Brasil que lutam para resistir em meio à opressão da cultura do homem branco. O fato é que a nossa casa, a nossa terra está perecendo e ainda fazemos de conta que não percebemos, nos preocupando com coisas inúteis, muitas vezes, e fúteis, que acarretam ainda em um distanciamento de nós mesmos.

                         Resultado de imagem para ESTATUA INDIO Wampanoag


Referências:
LUCIANO, Gersem dos Santos - Baniwa. O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006.
Wediggen, Laiz; Silva, Paulo Sérgio da. Educação e respeito ao meio ambiente: a perspectiva emancipatória da Educação na comunidade remanescente de quilombos de Casca. In:  SANTOS (org), Simone Valdete dos; Silva (org.), Paulo Sérgio da. Proeja Quilombola. Pelotas: Editora Universitária/UFPEL, 2010. p. 75-76. (Cadernos Proeja II- Especialização-Rio Grande do Sul. Vol. III).

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Conceitos de Divisão e Multiplicação

Desde cedo as crianças são capazes de compreender conceitos matemáticos, nos quais servirão de embasamento para mais tarde compreenderem a estrutura e sistematização de algoritmos. São em dificuldades simples como conseguir organizar e classificar os brinquedos, dividir balas entre os amigos, comparar tamanhos ou combinar roupas, por exemplo, que a criança se apropria de conceitos como: a classificação, seriação, combinatória, conjuntos, medidas, proporções, entre outros.
É importante que o professor leve em consideração esse conhecimento prévio do aluno, e que evidencie as relações existentes entre as operações, antes mesmo da sistematização de um procedimento para a resolução de um problema. Assim como aborda o texto “Multiplicação e divisão a toda hora” é necessário que a criança compreenda o que está por trás das operações, para tanto jogar com as estruturas multiplicativas amplia a visão matemática, pois frente a um problema a criança vai se utilizar de conceitos que já conhece para tentar resolvê-lo.
Como professora na educação infantil a ludicidade está sempre presente em minhas práticas, então também procuro desenvolver os conceitos matemáticos através de jogos como o dominó, de brincadeiras como a amarelinha, dança das cadeiras, da música, da contação de histórias, da organização da sala, na hora da alimentação e também gosto de desenvolver receitas, entre outras atividades.
Concluindo, o texto nos trouxe idéias criativas como o trabalho desenvolvido pela professora Beta, junto aos seus alunos, de calcular as telhas do telhado da escola. E nos mostra que é possível explorar e transformar e o próprio ambiente escolar em situações desafiadoras, para desenvolver os conceitos de divisão e multiplicação entre outros. Dessa maneira o aluno avança de forma autônoma na resolução de problemas e o que de início parecia complexo e indecifrável, passa a lhe fazer sentido.







Referências:
http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo4/matematica2/campo_multiplicativo/nova_escola_campo_multiplicativo.pdf

Classificar é fazer ciência?


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Certamente que o processo de classificação também é utilizado como um método científico, sendo que essa é uma excelente forma de organizar o conhecimento. Tendo em vista que para a realização de qualquer pesquisa ou para a escolha de algum procedimento a ser adotado, antes de tudo é necessário conhecer o material, categorizar, selecionar, nomear. Pois tudo o que é familiarizado hoje por nós, foi em algum momento nomeado, dividido em categorias, classificado, a fim de se poder também dar continuidade e se aprofundar os estudos.


Em referência temos a própria natureza que é dividida em várias classes, conjuntos e subconjuntos, como a classificação dos seres vivos, por exemplo, cujo Aristóteles foi primeiro cientista que procurou classificá-los. Ele os dividia os em dois grandes grupos: animais e vegetais, hoje, porém sabemos que existem mais categorias, mas esse primeiro passo foi importante para mais tarde se chegar à taxonomia, ciência das classificações que trata da organização dos seres vivos em grupos, desenvolvida por Carolus Linnaeus, ou Lineu (1707-1778).

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Reflexão a partir do texto: A matemática em sala de aula

A matemática é fruto do pensamento humano e os conceitos matemáticos são parte integrante do universo que nos cerca, pois os utilizamos nas mais diversas situações do nosso dia a dia, seja para organizar o nosso próprio pensamento elencando prioridades, para administrar a nossa vida em sociedade ou para realizar descobertas nos mais diversos âmbitos, entre outras coisas. E a criança desde que nasce é inserida nesse contexto, elas também observam e atuam no espaço ao seu redor, e aos poucos vão se orientando, construindo caminhos, estabelecendo sistemas de referência, identificando posições e se organizando no seu ambiente. Essa vivência inicial favorece a elaboração de conceitos que contribuem para o raciocínio lógico e abstrato. Raciocinar logicamente inclui saber construir e expressar idéias próprias, saber escutar idéias diferentes, selecionar, formular e demonstrar procedimentos na resolução de problemas, saber confrontar, argumentar, antecipar resultados de determinadas ações, também saber localizar erros, buscar resolve-los, entre outros.  Assim a matemática auxilia na construção do censo crítico, na organização do raciocínio, na tomada de decisões, contribuindo na formação de cidadãos autônomos, capazes de pensar e atuar na resolução de dificuldades.
Refletindo sobre o texto, o professor frente ao ensino da matemática não deve adotar uma postura radical de extremismo, essa é uma maneira equivocada e que pode acarretar em prejuízos ao aprendizado, engessando o pensamento. Pois tanto as crianças precisam ter acesso e conhecer as técnicas, quanto à base teórica, cabendo ao professor conhecer os seus alunos e encontrar a medida mais assertiva, adotando a maneira mais eficiente de fazer com que os seus alunos compreendam a matemática. Conforme nos coloca o texto referindo-se ao conceito de praxeologia desenvolvido por Chevallard (1999), que nos diz que há vários jeitos de resolver uma determinada operação matemática. Penso ser interessante que o professor abra esse leque de possibilidades aos alunos, para que eles mesmos reflitam e encontrem o jeito mais eficiente e prazeroso para si, em que o leve ao resultado correto. É importante mostrar que existem diferentes formas de se chegar a um mesmo resultado, estimulando a concentração e a reflexão, ensinando-os a explorarem diferentes situações que lhes sejam desafiadoras contribuindo para aguçar a curiosidade e a vontade de descobrir, de aprender. 

Concluindo, é importante que o aluno analise as diferentes formas de se chegar a um resultado e que entenda todo o processo, para tanto é necessário que o professor demonstre o passo a passo, que provoque e estimule. Abordando diferentes técnicas, situações problemas, se utilizando de diferentes materiais, inclusive jogos. É interessante conforme o texto coloca também, que escola considere o conhecimento anterior do aluno, as suas experimentações com a matemática, por exemplo, como a criança já era acostumada a dividir quantidades, a distribuir e fazer comparações antes mesmo de entrar na escola. Partindo desse pressuposto é possível aproximar os conceitos matemáticos as vivências reais das crianças, pois elas têm e devem ter várias experimentações com o universo matemático e outros que lhes possibilitem fazer descobertas, tecer relações, organizar o pensamento, o raciocínio lógico, situar-se e localizar-se espacialmente, contribuindo para que atuem como produtoras de conhecimento e não somente seguidoras de regras.






Referência bibliográfica:
SMOLE, Katia Stocco. MUNIZ, Cristiano Alberto (Orgs). A matemática em sala de aula: reflexões e propostas para os anos iniciais do ensino fundamental. Porto Alegre: Penso,2013.

sábado, 5 de novembro de 2016

COMPREENDENDO O TEMPO - crianças de 3 a 8 anos


Resultado de imagem para tempo relogioEntendo que na primeira infância é interessante que a aquisição da noção temporal e cronológica se faça a partir da própria história da criança, pois é a que está mais próxima. A perspectiva se dá a partir da compreensão do antes, do agora e do depois ou então do ontem, do hoje e do amanhã.
A concepção da cronologia é importante que se inicie ainda na educação infantil para que a criança aprenda a conhecer-se, a conhecer a sua história e situar–se no tempo, essa reflexão pode ser elucidada a partir do seguinte excerto: “(...) o aprendizado sobre o passado é parte integrante do desenvolvimento social, emocional e cognitivo.” (COOPER, Hilary. 2006 p. 171-190.) A compreensão temporal inicia-se já a partir da organização das atividades do dia a dia, da rotina diária da criança.
O ensino de história para crianças em de acordo com o texto de Cooper, que sugere uma visão construtivista desse ensino, é uma aprendizagem ativa, é um processo de construção gradativo no qual envolve a desmistificação de conceitos primariamente assimilados e a aprendizagem de como construir hipóteses. Incluindo a aceitação de que para um mesmo dado pode-se haver mais de uma hipótese, de que a história é feita de pontos de vista e não existe uma versão única para um fato histórico, é interessante que se estimule a investigação histórica para que se consiga uma visão mais próxima da realidade.
A importância de se estudar história e da aquisição da concepção temporal e cronológica conseqüente, vai além do conhecimento de fatos passados. É uma construção analítica da vida, é o conhecimento de buscas, de tentativas, de acertos, de erros e de situações envolvendo diferentes épocas. Contribuindo para a compreensão das várias ações humanas frente a diferentes desafios e para o aprendizado de nós mesmos, das nossas raízes.
A compreensão da possível linearidade do tempo acompanha as respectivas mudanças frente a determinados comportamentos, estruturas, ambientes, culturas e necessidades em distintas épocas.
O artigo de Cooper é embasado nas teorias de Piaget, Vigotsky e Bruner no qual consideram que a criança é participativa na construção da sua própria aprendizagem, sendo capaz de desenvolver argumentos sobre fontes históricas se assim forem ensinadas. Para tanto o professor precisa instigar e orientar a reflexão, trabalhar com certezas e probabilidades, colocar a disposição dos alunos elementos que promovam uma análise e estar disponível a consequentes questionamentos.
Promover aos alunos a possibilidade de conhecer e envolver-se com o passado do local onde vivem da sua família e perceber as mudanças ocorridas ao longo desse período é aproximar a criança da sua própria história. Proporcionar atividades que envolvam o diálogo da criança com a família e comunidade, permite inclusive o estreitamento de laços e vínculos familiares.
O texto de Cooper nos coloca que os jogos também são excelentes ferramentas de conhecimento histórico, pois permite que os alunos vivenciem, instigando o imaginário, situações em diversas épocas assumindo personagens em diferentes contextos sociais e de diferentes comportamentos e personalidades. Para tanto os contos de fadas e de histórias infanto-juvenis que remetam a diferentes períodos, também permitem essa contextualização possibilitando uma análise comparativa às diferentes circunstancias.

Concluindo, o desenvolvimento das noções temporal e cronológica, da compreensão dessas dimensões, é imprescindível. Pois é através da consciência histórica, do conhecimento do passado que se torna mais clara a compreensão do presente e então se pode construir, desenvolver melhor o futuro.






Referências:

COOPER, Hilary. Aprendendo e ensinando sobre o passado a crianças de 3 a 8 anos. Educar, Curitiba, v. Especial, p.171-190, 2006



sábado, 29 de outubro de 2016

O TEMPO NA ESCOLA

          Para o professor da atualidade o tempo em sala de aula não deixa de ser o tempo de cumprir com suas obrigações, pois ainda temos um compromisso implacável com o relógio. Entretanto, a realização das atividades não deve destinar-se apenas a preencher a carga horária e sim com o propósito de conciliar com um projeto próprio para a turma, elaborado com a participação dos mesmos. Considerando suas necessidades, afinidades e opiniões.
Todavia o tempo do professor, mesmo nos dias atuais, continua subordinado às regras da escola, ao calendário letivo e ao seu cotidiano em sociedade. E esse regramento certamente é transmitido aos alunos, inclusive condicionando-os para também a submeterem-se as regras da vida social, o cumprimento dos compromissos que essa vida exige. Esse modo de viver implica na constituição da sociedade futura, é um condicionamento que transcende os muros da escola.
Podemos pensar, então, que sendo a escola parte constitutiva do todo social, ela refletirá todas as mudanças ocorridas nas concepções que significam a vida, transformando-se internamente e promovendo mudanças na ilimitada realidade do extramuro escolar. (OLIVEIRA, Cristiane et al.)

Mesmo a nossa sociedade vivendo sob constante regramento, cada indivíduo tem o seu tempo próprio, seja ele estabelecido pelo seu corpo, determinando o limite do seu bem estar. Seja pela sua capacidade de tolerar a pressão exercida pelo tempo, ou pela falta dele, ou ainda pela capacidade própria de cada um em absorver informações, de desenvolver-se, de aprender. E essa noção de tempo de cada um, as escolas mesmo cientes que o processo de aprendizagem é particular em cada indivíduo, ou seja, existem diferentes formas de aprender e de que é necessário considerar todo o movimento que o aluno faz nessa direção, muitas instituições e docentes parecem ignorar o que sabem. O texto aponta que após estabelecerem-se estágios para o desenvolvimento infantil, há uma expectativa de desenvolvimento esperado para cada fase da infância, acabou por se estabelecer também níveis de aprendizagem e um padrão a ser considerado como um desenvolvimento normal, classificando as crianças.
O estabelecimento de ciclos, como aborda o texto, é determinante para vivermos de forma ordenada, para uma organização social e particular, para termos ou esperançarmos uma perspectiva com relação ao tempo futuro. Pois de modo geral sempre relacionamos os nossos projetos ao tempo, especificando um ponto de partida e ambicionando conquistas futuras.
O tempo sofre modificações ao longo do seu compasso, entretanto não há como fugir dele, temos a ilusão de temo-lo sob controle, mas na verdade somos por ele rigidamente controlados. Na escola não é diferente, tanto alunos quanto professores somos todos vítimas desse controle e a criança em si, manifesta claramente o esgotamento do seu tempo, assim como também sinaliza quando o tempo estabelecido não é suficiente, mas ainda não usufruirmos de um ambiente escolar que respeite o tempo de todos, pois ainda convivemos com altos níveis de evasão escolar e com uma quantidade absurda de professores afastados ou remanejados por problemas de saúde.

Concluindo, no referido espaço do saber que é o ambiente escolar, no qual se estabelecem metas, objetivos com relação aos alunos, o fato de ter crianças em distintas etapas de aprendizagem não significa que para algumas delas a aprendizagem não esteja acontecendo, sendo que existem diferentes formas de aprender. Defendo o ponto de vista em que o período de permanência da criança na escola deva ser norteado pelo prazer de estar nesse ambiente, pela motivação e alegria, é um momento de construção de significados para a vida, e não pode ser imposto, desconsiderando suas manifestações de descontentamento e até mesmo o seu tempo biológico. Quanto ao tempo pedagógico, os períodos de descontração, de trocas de experiências e de diálogo com os pais dos alunos ainda são reduzidos, cronometrados e regulados pelo calendário, enfrentamos a necessidade de repensar esses momentos, de construirmos diálogos mais abertos estendidos a toda a comunidade escolar, o futuro da nossa sociedade depende desse tempo que deve considerar prioritariamente os anseios daqueles que formarão a sociedade futura.




Referências Bibliográficas

OLIVEIRA, Cristiane et al. Questões sobre o tempo e o espaço escolar. Projeto tempos na escola, UFJF. (Texto fornecido pela Interdisciplina REPRESENTAÇÃO DO MUNDO PELOS ESTUDOS SOCIAIS).

domingo, 16 de outubro de 2016

O Estudo das Ciências Naturais

Em nossa primeira aula da interdisciplina que trata das Ciências Naturais recebemos a tarefa de conceituar a Ciência e considerar a importância do seu ensino nas escolas.
Bom, em minha reflexão, a Ciência tendo por base a curiosidade e a pesquisa é o estudo das diversas formas de vida, dos diversos organismos e partículas existentes no planeta terra e fora dele. Também é o estudo e desenvolvimento de utensílios com o intuito de facilitar a nossa vida cotidiana.
Compreendo que a ciência também não confronta a religião e sim vem a esclarecê-la, assim como os estudos da física quântica, por exemplo, que comprovam que a força do pensamento é capaz de influenciar nas moléculas da água. Ou que o julgamento do qual Jesus falava em suas parábolas já está sendo feito por nossas próprias células, se pensarmos que muitas das nossas doenças iniciam-se com os nossos pensamentos e sentimentos.

Sendo assim, acredito que a importância de se ensinar ciências na escola vai além do conhecimento em biologia ou da possibilidade de se fazer experimentos que promovam a curiosidade, no qual são fundamentais a fim de despertar o interesse e o espírito investigativo. Mas além de promover o autoconhecimento, ela também credita as diversas formas de vida a sua real importância, promovendo o devido respeito e tolerância do qual estamos tão carentes, sendo capaz desenvolver o nosso senso de humanidade. Pois a ideia principal da ciência é trabalhar para o bem de todos.

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sábado, 8 de outubro de 2016

Considerações referentes ao artigo de Elza Nadai sobre a história e o ensino de história no Brasil:


Resultado de imagem para elza nadai historia do brasilO ensino de história no Brasil: trajetória e perspectiva (Elza Nadai)

O artigo de Nadai reportou-me de imediato a minha trajetória estudantil (anos 90) com a disciplina de “História” e a idéia de que foi delineada para ser odiosa me pareceu muito próxima, pois a conheci através de uma metodologia extremamente tradicional baseada em versões “incontestáveis”, na memorização de fatos e datas muito distantes da nossa realidade. Não fosse minha curiosidade e prazer pela leitura, não teria despertado minha consciência histórica, pois grande parte do que sei referente a esse tema não foi à escola quem ensinou.
De acordo com o texto, com a implementação da ditadura em sessenta e quatro e durante o seu período, o ensino brasileiro passou por profundas modificações legais em sua estrutura, como a unificação da escola secundária a primária, bem como a sua obrigatoriedade estendida a toda a população, a debilitação dos cursos de formação de professores, assim como a modificação da nomenclatura da disciplina de História que passou a chamar-se Estudos Sociais, perdendo o seu caráter autônomo.
Lamentavelmente a ciência que estuda o homem e suas ações no tempo e espaço e que tem o importante papel de incitar a pesquisa, no Brasil foi utilizada para manipular e coibir o livre pensar e o espírito investigativo. Nos foi negado na escola o conhecimento das várias faces da nossa história, como a daqueles que não foram considerados heróis, dos que lutaram, mas não receberam honrarias. Mais lamentavelmente ainda é que após os mínimos avanços que obtivemos na área da educação estamos vivenciando mais uma vez o uso abusivo do poder, que não leva em consideração ás vozes daqueles que diariamente lutam para que um país melhor seja possível. Pois ao ouvir falar do programa “Escola sem partido” que tenta intimidar o professor e da retaliação na educação como a tentativa de acabar com o ensino da Educação Física e das Artes, considerando ainda a volta de Estudos Sociais e Moral e Cívica, não há como pensar em outra palavra para o que estamos vivendo hoje se não um retrocesso. Esse é mais um momento obscuro em nosso país que a História será encarregada de contar

domingo, 11 de setembro de 2016

Escola como instituição

                               
           A instituição escolar é um tema que está e precisa estar sempre em pauta, a fim de acompanhar o progresso, mas em se tratando de Brasil será que realmente estamos progredindo, muitas mudanças já ocorreram de fato, mas se compararmos com instituições de ensino de países desenvolvidos como o Canadá, a Irlanda ou a Noruega, por exemplo, vê-se que ainda há um longo caminho a percorrer.
Será somente por descaso que o modelo brasileiro de escola que ainda vemos hoje,  alojamentos similares a instituições como hospitais, presídios e hospícios, produza jovens desestimulados e alienados quanto aos seus direitos e deveres para com a grande sociedade, ou é intencional que assim permaneça. Os índices de evasão escolar ainda são altos, muitos jovens ainda não conseguem encontrar na escola um lugar de possibilidades e oportunidades, o que fortalece o mercado do tráfico, por exemplo, que acolhe justamente a jovens que não encontram maiores perspectivas de vida.
Outra questão também é a atual crise econômica que o nosso país enfrenta cujo se fala muito em desequilíbrio do mercado financeiro e ajustes fiscais, palavras que parecem gregas para a maioria do povo brasileiro, onde a matemática financeira é dispensável do currículo das escolas públicas. Pois quando não se entende fica mais fácil ser ludibriado, a contra partida o nosso povo é preparado arduamente a aquecer o mercado do consumo, diariamente somos arrebatados com um bombardeio de propagandas com novas promessas de felicidade instantânea, e os nossos jovens também não aprendem nas escolas a construírem subsídios para saberem selecionar o que realmente é importante para o bem comum.
A reflexão que faço pode ser aprofundada com o seguinte excerto:

O sistema educativo está claramente relacionado com o mundo empresarial, por exemplo, com as indústrias da informação e da comunicação, bem como com aquelas instituições econômicas privadas que produzem investigação e, em geral, com todas as empresas que fazem negócios com a produção, difusão e utilização do conhecimento. No entanto, as finalidades dos sistemas educativos não se esgotam nessas interdependências, nem em preparar o capital humano e o conhecimento que vai necessitar o mercado para funcionar. (p. 54).
(Jurjo Torres Santomé, A construção da escola pública como instituição democrática: poder e participação na comunidade. Publicado na revista Currículo sem fronteiras, v. 1, n. 1, jan/jul 2001, p. 51-80).

Desse modo muito há o que refletir a respeito da educação que queremos para as nossas crianças e jovens, como rever os padrões de ensino das instituições escolares, assim como a qualificação docente, os investimentos nas escolas públicas e também o apoio das comunidades a essas instituições que muitas vezes fazem o papel de lar. Se a educação brasileira está um caos, precisa-se rever urgentemente qual é o papel da escola na sociedade, o que se espera dessa instituição ou o que deveria se esperar, ou quem sabe, se ela já não cumpre, designadamente, as exigências do mercado.




OBS: Texto desenvolvido para a atividade 2 do SI IV.