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domingo, 10 de dezembro de 2017

Pink Floyd - Another Brick In The Wall (HQ)



      Encerrando o semestre com o clássico do Pink Floyd, que de forma provocante, ao melhor estilo rock and roll, retrata o ponto culminante da educação tradicional, pedagogia diretiva. Que por sua vez, ignorava a singularidade de cada indivíduo, tentando massificar o pensamento como se pessoas fossem produtos. No entanto apesar desse contexto ser diferente do atual cenário educacional, essa linha conservadora ainda tem raízes remanescentes, mesmo que num grau menos agressivo mas não menos prejudicial, retardando o desenvolvimento social de países que seguem as políticas neoliberais, por exemplo. Que entendem a escola como uma mera fábrica para a mão de obra, abortando a autonomia e o pensamento crítico tão essenciais a promoção da cidadania.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Diversidade e Preconceito na Escola

No ambiente escolar mesmo havendo o discurso da necessidade de abraçar a diversidade e de quebrar paradigmas (o rótulo, combatendo o bulling, o sexismo) também não está isento de interferências de conceitos próprios, pré-conceitos particulares explícitos ou não, tanto dos professores como da própria instituição em si, tendo em conta que o próprio calendário de datas comemorativas escolares é tendencioso e não representa toda a nossa sociedade. A escola é uma instituição socializadora e de representatividade social, onde muitas questões enraizadas de cunho ético, moral, cultural e religioso são colocadas em cheque, também é um espaço de confrontos de ideias e princípios, do enfrentamento de questões externas que transpõem o seu interior.
No que diz respeito à inclusão de pessoas com deficiência a nossa sociedade está a passos lentos tentando compreendê-las e inseri-las em diversos âmbitos, tentativa essa que se configurou apenas após o enfrentamento de muitas lutas no que tange a concessão de direitos e da garantia do pleno exercício da cidadania por parte dessas pessoas. O que não significa que já se tenha concretizado, que a luta acabou ou que é somente de um pequeno grupo.
        Em se tratando dos professores se pensarmos que assim como cada aluno eles também se constituem sujeitos históricos representantes de toda uma sociedade que ainda tem raízes no preconceito fica fácil compreender, uma postura talvez desajeitada, no enfrentamento do novo e ao lidar com questões que fogem a sua plena compreensão ou que confrontem o seu conhecimento prévio. Por esse motivo talvez, muito também decorrente das suas próprias vivências, das suas emoções externadas no campo da experiência com o diferente, é que apareçam termos inadequados ao referir-se a alunos com necessidades educacionais especiais ou até mesmo a tentativa de enquadrá-los em um perfil estigmatizado desrespeitando a singularidade de cada um. Como, por exemplo, o pensamento colocado pela autora Lígia Amaral no texto “Sobre Crocodilos e Avestruzes” ao dizer que: “se uma atividade é boa para essa pessoa com deficiência também será boa para todas as pessoas nessas condições”. Ou até mesmo o julgamento depreciativo no sentido de subestimar a capacidade de um aluno, por alguma condição diferente, também é observável no ambiente escolar. 
A autora Lígia Amaral também coloca como um empecilho o “desconhecimento concreto e vivencial desse algo ou alguém assim como as nossas próprias reações diante deles”. Assim penso na necessidade de se quebrar esse muro limitador que impede a aproximação das pessoas, pensando na escola como um local de socialização, quem sabe a complexidade da relação professor aluno, nesse aspecto, seja exatamente o despertar da consciência da suas próprias limitações, por parte dos professores. No caso quando nos defrontamos com um sujeito que nos assinala a nossa própria deficiência, talvez essa barreira seja uma auto defesa, pois é difícil para o professor assumir a postura de que ele é quem não sabe como lidar com determinada situação, inclusive essa posição de negação da própria inabilidade pode ser devido ao peso que carrega sozinho de que deva ter essa competência.
Trazendo essa reflexão a minha prática certamente já experimentei essa sensação de inaptidão, já tive alunos que me fizeram parar e mudar de atitude, ter de buscar alternativas como ir atrás de cursos específicos ou chamar a família para conversar, para desse modo conseguir compreendê-lo melhor. Na prática considero que o mais relevante seja se colocar disposto a abandonar conceitos, estar disponível a aprender também, buscar a aproximação com os alunos estando consciente de que também tem limitações a vencer.
 Pensando assim é notório que todos têm limitações, todos somos diferentes e essa conscientização deve ser propagada, até mesmo por que não podemos esquecer que muitos em nossa história já sofreram (mulheres acusadas de bruxas e deficientes foram queimados, além da escravidão negreira, entre outros) e muitos ainda sofrem ao se depararem sozinhos com a sua diferença, colhendo a injúria e a indiferença por parte de uma maioria sem consciência, quantas infâncias foram e ainda serão arrebatadas pelo algoz do preconceito. Podemos aprofundar essa reflexão com a seguinte citação de Amaral:
 “(...) a presença de preconceitos e a decorrente discriminação vivida, ainda com mais intensidade, pelos significativamente diferentes, impedindo-os muitas vezes, de vivenciar não só seus direitos de cidadãos, mas de vivenciar plenamente sua própria infância.”
Concluindo, o preconceito é cruel e deve ser combatido, mas acredito que a melhor maneira de enfrentá-lo seja conhecendo-o de perto, a sua expressão que é por vezes subliminar, quem sabe buscando entender que todos têm limitações que podem ser transponíveis, talvez seja o primeiro passo. Já que é possível que o preconceito encontre suas raízes em cada um de nós também, mesmo naqueles que afirmam piamente em não tê-lo, pois somos todos submetidos à massificação generalizada introduzida pêlos meios midiáticos, são modelos de comportamento, padrões de beleza e concepções que também influenciam em nossas atitudes. Resumindo, o preconceito e o conseqüente ato discriminatório são um mal que devem ser erradicados no âmago da nossa sociedade, erradicados de nossas cidades, de nossos bairros, da nossa rua, das escolas, de nossos lares, dentro da convivência com nossos familiares e do interior de nós mesmos.

  
Referências:

AMARAL, Lígia Assumpção. Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e sua superação. In: AQUINO, Júlio Groppa. Diferenças e preconceito na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1998. p. 11-30.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Crash - No Limite (Trailer)



   Lançado em 2005 esse instigante e dramático filme do autor/roteirista Paul Haggis tem como cenário Los Angeles / EUA, paragem de muitos imigrantes, mesmo sendo uma ficção não deixa de emocionar pelo realismo da sua narrativa. O filme aborda a temática do preconceito e da discriminação tão presentes nas distintas camadas que compõem a sociedade norte americana, por meio de histórias de vidas que se cruzam ao longo do enredo, construindo uma trama envolvente. Retratando em muitos momentos cenas não tão distantes do nosso cotidiano (Brasil), uma elite em sua maioria branca, um povo miscigenado, ambos envolvidos em situações que denotam atitudes preconceituosas, racistas, em algumas vezes explícitas e outras velada. E ainda o evidente clima de tensão, desconfiança e medo presentes na trama, revelando a falta de ética, o individualismo e a solidão.
   Esse longa é capaz de provocar raiva e lágrimas ao mesmo tempo e de nos transportar ao lugar dos personagens. Direcionando o nosso olhar para o outro, com diferenças raciais, étnicas, religiosas e culturais à parte, expõe o preconceito de forma tão crua que nos leva a refletir: Quem não é, ou já foi, preconceituoso em algum momento? Será que realmente nos conhecemos? Será que basta se dizer não preconceituoso? Quem é verdadeiramente bom ou mau? Conseguimos ser éticos em todas as nossas atitudes?
  Uma vez que, esse semestre trouxe a tônica a amplitude das relações humanas, abordando a diversidade, o preconceito e questões como a ética e a moral, considerei interessante correlacionar com esse filme, que por vezes nos permite divagar pelas implicações sociais e inclusive ver o outro refletido em nós mesmos.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Método Clínico Piagetiano


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     Nessa segunda-feira 20/11 tivemos o primeiro encontro presencial da interdisciplina de Desenvolvimento e Aprendizagem sob o Enfoque da Psicologia II, foi um momento de exposição da proposta de trabalho que consistia na aplicação do Método Clínico Piagetiano. Para tanto foram produzidos vídeos da tarefa que foi realizada em duplas. 
          Elaborado por Jean Piaget, o Método Clínico que se traduz na aplicação das provas de diagnóstico do nível operatório, configuram-se em interessantes e geniais instrumentos de pesquisa objetivando investigar o nível do desenvolvimento cognitivo da criança, ou seja o que acontece do ponto de vista psíquico na relação sujeito - objeto. Através do qual é possível obter uma hipótese de como a criança constrói o seu raciocínio, inclusive pela possibilidade que o condutor tem de propor um desequilíbrio no modo de pensar da criança, provocando a reflexão.
    Entretanto, a sua precisão e eficiência dependem da administração do condutor que deve ter o cuidado de não interferir, de maneira nenhuma, nas respostas da criança, além de certificar-se que ninguém ao redor fará o mesmo. Talvez seja esse o aspecto mais relevante, tendo em vista que exige um suficiente conhecimento e segurança na aplicação da prova, além da consciência de que o próprio pesquisador também é parte integrante do objeto de pesquisa. Essa análise deve ser feita minunciosamente, de modo que o condutor da prova registre detalhadamente o desenrolar do processo para que se possa fazer a correta interpretação da conduta.
        Desse modo, a mostra de vídeos foi uma excelente forma de identificarmos, junto com os professores, aspectos decisivos na nossa conduta, na aplicação das provas, que precisam ser corrigidos. Foi surpreendente a perspicácia das crianças, nos causando momentos embaraçosos.
         Por fim também foi possível nos apropriarmos de importantes conceitos, aqui colocados, para que aconteça a correta aplicação das referidas provas. Mais usual na Psicopedagogia, esse método quando corretamente aplicado pode  ser bem-sucedido nas escolas, fornecendo importantes subsídios ao professor para lidar com questões relativas a aprendizagem dos alunos. Esclarecendo que não se trata de uma medição de QI, mas da coleta de dados, de uma pesquisa que pode ser muito útil para que o professor conheça melhor o seu aluno, o seu modo de pensar. Para que o professor possa atuar como pesquisador, formulando hipóteses que irão colaborar com o seu fazer pedagógico e com a elaboração de novas estratégias didáticas. 

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