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sábado, 16 de junho de 2018

História da Educação no Brasil - Aula 18 - Paulo Freire e sua proposta d...




O legado de Freire para a educação foi mais do que sugerir uma nova proposta ou método de ensino, além de derrubar as estruturas de uma pedagogia opressora denunciando os seus equívocos, como o uso das cartilhas na alfabetização, ele conseguiu nos advertir quanto ao caráter político da ação educativa. Lembrando a todos da função social exercida pela escola e que não pode ser negligenciada pelos órgãos competentes ao sistema educacional.
Ao olharmos para a Educação de Jovens e Adultos, por exemplo, nos damos conta de que de certa forma ela denuncia o fracasso tanto da escola regular, no que tange ao seu compromisso com a comunidade, quanto a desestrutura e imprevidência do Estado para com o seu comprometimento social. Já que somos levados a refletir assuntos pungentes como a evasão escolar, o trabalho infantil, o analfabetismo, questões raciais, os índices de desigualdade, entre outros. Esse amplo contexto de situações dolorosas se faz presente na EJA, e a essa modalidade de educação cabe o resgate desses sujeitos, descobrir e construir ações positivas, de forma que a aprendizagem escolar lhes propicie ferramentas úteis tanto para a resolução de questões práticas da vida cotidiana, como incluindo esses indivíduos no enredo produtivo, dinâmico e autônomo da sociedade.
Foi justamente atuar na libertação dos indivíduos delegados a viver as margens da sociedade que a pedagogia freiriana dedicou-se profundamente. Como nos mostra a experiência de Angicos, alfabetização em 40 horas dirigida por Paulo Freire, que testemunha a eficácia da sua revolucionária metodologia. Paulo Freire queria quebrar as barreiras do conhecimento e ensinar a leitura do mundo.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Resenha do texto Alfabetização de Jovens e Adultos: ainda um desafio

Coloco em destaque neste post a atividade realizada para a interdisciplina de Educação de Jovens e Adultos no Brasil, trata-se de uma breve síntese do texto, mencionado acima, da Professora Regina Hara :

O texto de Regina Hara, com ideias fundamentadas nas concepções de Paulo Freire, Emília Ferreiro e Ana Teberosky, nos propõe uma reflexão que vai além do estudo da psicogênese da língua escrita, nos permitindo uma análise socializadora, elevando a nossa concepção política a respeito de toda a conjuntura que envolve a alfabetização de jovens e adultos.
Tais teóricos, “(...) tomam o homem como sujeito cognoscente e construtor de seu conhecimento.” (HARA, 1992, p.04). E seus estudos apontam que assim como as crianças o indivíduo adulto não alfabetizado também traz consigo toda uma bagagem de entendimento que se pode relacionar ao código escrito, mesmo sem conseguir compreendê-lo propriamente, não é um ser vazio de conhecimentos a esse aspecto, já que consegue fazer associações e formular hipóteses, agregando vários elementos das suas vivências. Desse modo a autora aborda em seu texto a relevância da atuação docente considerar esses conhecimentos como princípio do processo aquisição da linguagem escrita, ao invés de ignorá-los concebendo esses sujeitos como iletrados.
Para tanto, Hara salienta que não basta por intermédio de uma leitura sistemática do método freireano propor um desafio, que denomina de simplista, escolhendo palavras relacionadas ao cotidiano dos alunos e achar que a eficiência consiste em decodificá-las e a partir delas construir novas. Podemos entender que é preciso mais para compreender e agir significativamente sobre o universo desse aluno, há de se levar em conta o respeito por sua historicidade e cultura, bem como o seu entendimento acerca de mundo e o que o levou a buscar a escolarização.
Visto que podem ser muitas as adversidades enfrentadas no dia a dia de uma sala de aula da EJA, tanto de ordem sociopolítica, econômica e estrutural, mesmo quanto às ações pedagógicas empreendidas no processo de alfabetização e construção do conhecimento. A autora nos coloca ainda, que de acordo com as pesquisas de Emilia Ferreiro, para o aluno adulto assim como as crianças a aprendizagem da escrita é conceitual, sendo construída nas relações do sujeito com o meio, portanto podemos entender que é abstrata e individual é um processo de entendimento particular que passa por diversas etapas cognitivas, desse modo constitui-se em próprio de cada um.
Regina Hara também destaca o seguinte: “(...) não é o método que se elege que promove a alfabetização, mas é todo um conjunto de conhecimentos e a postura intelectual que adotamos com relação aos sujeitos e ao objeto da aprendizagem.” (1992, p. 7) O que vem a contemplar de modo elucidativo os argumentos colocados até agora, sabendo que o processo de alfabetização não se trata de decodificar mecanicamente a escrita e sim de compreender todo o processo histórico que a envolve.
Finalizando, podemos compreender esse desafio, em síntese, partindo do entendimento de que o estudante da EJA que ainda não domina o código escrito é do mesmo modo um sujeito ativo no seu processo de aprendizagem, apresentando igualmente expectativas e noções do seu lugar no mundo, não é abstraído de conhecimento algum. Portanto a ação didática deve considerar quem são esses indivíduos, de forma desprendida de concepções preestabelecidas e até preconceituosas, para que a prática que comumente já esbarra em problemas de ordem administrativa, institucional e social, possa de modo consciente e analítico contribuir não somente com a alfabetização dos educandos, mas com a constituição de sujeitos epistêmicos, críticos e emancipados.

Referências:
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Os excluídos da escola


 Na última segunda-feira 19 de Março de 2018 assisti à terceira aula presencial desse sétimo semestre de curso, dentre outros assuntos discorremos sobre as nossas experiências na docência, sobre a escola que almejamos, incluindo as questões que implicaram nas mudanças que ocorreram na educação e também o que não mudou, o perfil de alunos que temos hoje, bem como sobre pontuais transformações em nossa sociedade que contribuiram com a diversidade atual.
Ao refletir essas alterações tendo por base referências do século passado, é possível perceber um país recém ex-escravagista, ainda com raízes imperialistas, no qual a escola inicialmente não abarcava as minorias sociais, ou seja, negros e indígenas, modestos trabalhadores, os considerados deficientes e as mulheres por muito tempo ficaram fora da escola. Após a crescente industrialização e a partir do movimento Escola Nova que buscava uma maior estabilização social trazendo mudanças profundas na educação como a gratuidade, a obrigatoriedade e laicidade, marcando o início da escola pública. Houve uma série de transformações no cenário educacional brasileiro, depois com a gradual ocupação das mulheres no mercado de trabalho, também as mudanças na economia do país advindas do período de ditadura militar e pós ditadura, assim como a democratização do país, enfim a Constituição de 1988 e a inclusão das pessoas com deficiência. De lá para cá foram muitas as alterações de âmbito social que trouxeram mudanças para a esfera educacional, sem mencionar as mediações das variadas correntes no campo da psicologia, da filosofia, da neuropsicolinguística e epistemologias. E hoje ainda temos o avanço tecnológico e midiático, que acarretam em outras implicações, no qual a escola tenta se moldar para conseguir compreender as exigências da nova geração.
Entretanto o aparente progresso concernente a modernização da comunicação com o uso das tecnologias, não eliminou os problemas anteriores do quadro da educação do nosso país, como a questão da evasão escolar, por exemplo, que ainda possui taxas elevadas e destaca-se como um dos grandes desafios enfrentados pela educação brasileira. Na totalidade das séries do Ensino Médio esse número chega a 11,2%, segundo dados coletados nos anos de 2014 e 2015 e divulgados pelo INEP.  Sabemos que são inúmeras as situações que acarretam na evasão escolar, entre elas estão à repetência, à necessidade de trabalhar, a maternidade precoce, a falta de transporte, entre outras.
É então que entra a EJA, como uma reparação social, histórica, política, econômica e cultural, para abraçar esse público que coincidentemente ou não é o mesmo que mencionei no início desse texto, sim os excluídos da escola. Embora já tenha ouvido de colegas que jovens abandonarem a escola regular diurna para estudarem a noite virou modismo, essa ainda é uma questão que só acontece nas camadas de maior vulnerabilidade social. E não há como pensarmos na Educação de Jovens e Adultos sem nos reportarmos ao nosso patrono Paulo Freire, com sua Pedagogia do Oprimido, que com um método de educação humanitária revoluciona as práticas pedagógicas evidenciando o protagonismo do aluno no processo de ensino aprendizagem. A proposta de Freire que tem como premissa a análise do contexto histórico, político, social e cultural de cada indivíduo é prestigiada em diversos países do mundo, lhe rendendo o título de um dos mais notáveis pensadores da história da pedagogia.
Bom, concluindo essa foi uma breve reflexão acerca de alguns tópicos que podemos colocar em pauta quando nos reportamos ao nosso cenário educacional, como no caso da EJA que será um dos temas tratados no semestre.
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http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/inep-divulga-dados-ineditos-sobre-fluxo-escolar-na-educacao-basica/21206