sábado, 8 de outubro de 2016

Considerações referentes ao artigo de Elza Nadai sobre a história e o ensino de história no Brasil:


Resultado de imagem para elza nadai historia do brasilO ensino de história no Brasil: trajetória e perspectiva (Elza Nadai)

O artigo de Nadai reportou-me de imediato a minha trajetória estudantil (anos 90) com a disciplina de “História” e a idéia de que foi delineada para ser odiosa me pareceu muito próxima, pois a conheci através de uma metodologia extremamente tradicional baseada em versões “incontestáveis”, na memorização de fatos e datas muito distantes da nossa realidade. Não fosse minha curiosidade e prazer pela leitura, não teria despertado minha consciência histórica, pois grande parte do que sei referente a esse tema não foi à escola quem ensinou.
De acordo com o texto, com a implementação da ditadura em sessenta e quatro e durante o seu período, o ensino brasileiro passou por profundas modificações legais em sua estrutura, como a unificação da escola secundária a primária, bem como a sua obrigatoriedade estendida a toda a população, a debilitação dos cursos de formação de professores, assim como a modificação da nomenclatura da disciplina de História que passou a chamar-se Estudos Sociais, perdendo o seu caráter autônomo.
Lamentavelmente a ciência que estuda o homem e suas ações no tempo e espaço e que tem o importante papel de incitar a pesquisa, no Brasil foi utilizada para manipular e coibir o livre pensar e o espírito investigativo. Nos foi negado na escola o conhecimento das várias faces da nossa história, como a daqueles que não foram considerados heróis, dos que lutaram, mas não receberam honrarias. Mais lamentavelmente ainda é que após os mínimos avanços que obtivemos na área da educação estamos vivenciando mais uma vez o uso abusivo do poder, que não leva em consideração ás vozes daqueles que diariamente lutam para que um país melhor seja possível. Pois ao ouvir falar do programa “Escola sem partido” que tenta intimidar o professor e da retaliação na educação como a tentativa de acabar com o ensino da Educação Física e das Artes, considerando ainda a volta de Estudos Sociais e Moral e Cívica, não há como pensar em outra palavra para o que estamos vivendo hoje se não um retrocesso. Esse é mais um momento obscuro em nosso país que a História será encarregada de contar

domingo, 18 de setembro de 2016

RUBEM ALVES: GAIOLAS OU ASAS?

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Quando Rubem Alves menciona em seu artigo que foi atacado por tal aforismo, em seguida coloca que o mesmo nasceu de um sofrimento: “sofri, conversando com professoras do ensino médio em escolas de periferia. O que eles contam são relatos de horror e medo”.
O autor relata ainda, com pesar, uma passagem da sua infância no qual relaciona com o mesmo aforismo. Ele fala do cruel prazer que tinha em caçar passarinhos, colocá-los em uma gaiola e assisti-los debatendo-se em vão contra os arames. A relação que ele faz entre essa crueldade infantil e os relatos que ouviu dos professores, quanto à postura das crianças em sala de aula, é determinante para que comparasse algumas escolas com gaiolas.
Essa associação pode ser observada no seguinte trecho:
“Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas?” (ALVES, Rubem, Artigo: Gaiolas ou Asas?)
Para resumir a educação, que defende, Rubem Alves utiliza as palavras “ferramentas e brinquedos”, para ele as escolas deveriam estar ligadas com problemas que são vivenciados diariamente pelas crianças e trabalhar em cima destas questões ensinando-as a resolvê-los.
Para Rubem Alves o principal objetivo da escola deve ser o desenvolvimento da inteligência. Ele salienta a importância do aprendizado de mecanismos para o amplo desenvolvimento do corpo também, essa educação do corpo se daria em aprender a resolver as questões do dia a dia, a sobreviver em sociedade ao passo que para essa sobrevivência se faz necessária também o desenvolvimento da alma. Esse desenvolvimento ele denomina de brinquedo, são atividades que nos dão prazer, que nos fazem bem e que nos enchem de alegria e esperança. Concordando com o autor penso que atividades assim, (como ouvir uma música, um poema, conhecer o canto dos pássaros, admirar uma obra de arte, para exemplificar), funcionam como um oxigênio para o cérebro, contribuindo para motivar a aprendizagem e também para ampliar a sensibilidade e o conhecimento de si mesmo.

Concluindo, o entendimento de educação defendido pelo autor visa humanizar a escola, aproximar professor e aluno e fazer com que ambos encontrem prazer no ambiente escolar. Por esse motivo o legado de Rubem Alves, as suas idéias e aforismos, não podem ficar no esquecimento. Até por que está mais do que provado que o ensino tradicional não tem um histórico de sucesso em nosso país, que ainda tem uma das maiores taxas de evasão escolar do mundo.

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domingo, 11 de setembro de 2016

Escola como instituição

                               
           A instituição escolar é um tema que está e precisa estar sempre em pauta, a fim de acompanhar o progresso, mas em se tratando de Brasil será que realmente estamos progredindo, muitas mudanças já ocorreram de fato, mas se compararmos com instituições de ensino de países desenvolvidos como o Canadá, a Irlanda ou a Noruega, por exemplo, vê-se que ainda há um longo caminho a percorrer.
Será somente por descaso que o modelo brasileiro de escola que ainda vemos hoje,  alojamentos similares a instituições como hospitais, presídios e hospícios, produza jovens desestimulados e alienados quanto aos seus direitos e deveres para com a grande sociedade, ou é intencional que assim permaneça. Os índices de evasão escolar ainda são altos, muitos jovens ainda não conseguem encontrar na escola um lugar de possibilidades e oportunidades, o que fortalece o mercado do tráfico, por exemplo, que acolhe justamente a jovens que não encontram maiores perspectivas de vida.
Outra questão também é a atual crise econômica que o nosso país enfrenta cujo se fala muito em desequilíbrio do mercado financeiro e ajustes fiscais, palavras que parecem gregas para a maioria do povo brasileiro, onde a matemática financeira é dispensável do currículo das escolas públicas. Pois quando não se entende fica mais fácil ser ludibriado, a contra partida o nosso povo é preparado arduamente a aquecer o mercado do consumo, diariamente somos arrebatados com um bombardeio de propagandas com novas promessas de felicidade instantânea, e os nossos jovens também não aprendem nas escolas a construírem subsídios para saberem selecionar o que realmente é importante para o bem comum.
A reflexão que faço pode ser aprofundada com o seguinte excerto:

O sistema educativo está claramente relacionado com o mundo empresarial, por exemplo, com as indústrias da informação e da comunicação, bem como com aquelas instituições econômicas privadas que produzem investigação e, em geral, com todas as empresas que fazem negócios com a produção, difusão e utilização do conhecimento. No entanto, as finalidades dos sistemas educativos não se esgotam nessas interdependências, nem em preparar o capital humano e o conhecimento que vai necessitar o mercado para funcionar. (p. 54).
(Jurjo Torres Santomé, A construção da escola pública como instituição democrática: poder e participação na comunidade. Publicado na revista Currículo sem fronteiras, v. 1, n. 1, jan/jul 2001, p. 51-80).

Desse modo muito há o que refletir a respeito da educação que queremos para as nossas crianças e jovens, como rever os padrões de ensino das instituições escolares, assim como a qualificação docente, os investimentos nas escolas públicas e também o apoio das comunidades a essas instituições que muitas vezes fazem o papel de lar. Se a educação brasileira está um caos, precisa-se rever urgentemente qual é o papel da escola na sociedade, o que se espera dessa instituição ou o que deveria se esperar, ou quem sabe, se ela já não cumpre, designadamente, as exigências do mercado.




OBS: Texto desenvolvido para a atividade 2 do SI IV.

sábado, 3 de setembro de 2016

Um novo momento



         Nessa semana iniciamos as nossas atividades no PEAD, chegamos ao quarto semestre, com perspectivas de novos desafios e novas aprendizagens.

        Após as discussões e combinações iniciais da aula do lV Seminário Integrador, fomos questionados com relação a importância do blog como uma ferramenta de suporte, onde registramos semanalmente as nossas impressões com relação as interdisciplinas do semestre. Particularmente considero ótima a ideia da construção de um portfólio digital, tanto o blog como a ferramenta pbworks, pois além de nos servir de suporte a nossa síntese reflexiva e ao workshop de aprendizagem semestral, também nos força ao exercício da reflexão e da capacidade argumentativa, assim como ao de sintetizar as aprendizagens.

         Durante esse semestre também daremos continuidade a um projeto de pesquisa que iniciamos no semestre passado, o grupo a qual faço parte chama-se "Diversidade e preconceito" http://diversidadeepreconceito.pbworks.com/, e tem tudo a ver com o momento político no qual estamos vivenciando, onde extremismos estão ressurgindo e uma consequente ameaça ao pensamento crítico e a livre expressão. Assim como o Projeto de Lei 1301/15, baseado no Projeto Escola Sem Partido que pretende acabar com a liberdade de expressão ao proibir que professores e alunos discutam em sala de aula temas como: direitos iguais entre mulheres e homens, política, sexualidade,religião, história, filosofia e sociologia.

          Entrando nessa discussão vejo o nosso país embarcando em um período triste de retrocesso, um país que nunca foi perfeito mas que nos últimos treze anos obteve importantes conquistas principalmente na área da educação e com relação aos direitos humanos. Dentre elas o Fies, o Ciências sem Fronteira, o programa de cotas nas universidades, a reforma do bolsa família, o aumento do salário mínimo e a lei Maria da Penha. E agora vemos a ascensão de movimentos neo liberais, de grupos fanáticos religiosos e de extrema direita que muito lembram o fascismo, ao pregarem a disseminação do ódio e do preconceito, assim inicia mais um capitulo na política brasileira.
Chegou um novo momento, o início de mais um semestre, acompanhado também de um novo momento na história do nosso país.

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domingo, 19 de junho de 2016

BEBÊS DESCOBRINDO POEMAS

                 Recebemos da professora Ivany Sousa Ávila a tarefa de desenvolver um planejamento para trabalhar 'poemas' com os nossos alunos. No meu caso sou professora de berçário, tenho alunos com a faixa etária que vai de 8 meses a 1 ano e 5 meses e nesse caso a ludicidade assume uma importância muito grande, pois para eles além de ouvir é extremamente necessário ver e tocar, ter experiências físicas e concretas.

                  Para desenvolver o meu planejamento escolhi o seguinte poema:

O PATO
(Vinicius de Moraes, Toquinho, Paulo Soledade)
Lá vem o Pato 
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há.
O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.

Tonga Editora Musical LTDA






                 Objetivos: Exploração de sons e ritmos, aumento do vocabulário, expressão através da linguagem oral, gestual e corporal, associação de objetos ao nome, estimular a compreensão do que ouve, também a concentração, a memorização, a curiosidade, a percepção auditiva, tátil e visual. Exploração de diferentes materiais, cores, formas e texturas, controle da motricidade. Incentivar o gosto pela música, a imaginação, a descoberta de si e do outro e a socialização.

                  Desenvolvimento:
 - Num primeiro momento a apresentação do poema em forma de história, com o auxílio de fantoches e materiais como o caneco, a tigela e a panela, permitir que as crianças manipulem e explorem os diferentes materiais;
- Com o auxílio do DVD (ou não), apresentar o poema também em forma de música, cantarolando com as crianças;
- Confecção de cartaz juntamente com as crianças para que possam visualizar e seguir explorando o poema. 

                  Reflexões: O desenvolvimento dessa atividade foi muito tranqüilo, natural e prazeroso, pois foi possível perceber o interesse, o envolvimento e a satisfação das crianças em realiza-la. No início me sugiram dúvidas se realmente seria possível trabalhar poemas com berçário, mas ao refletir e entender o significado de um poema, as dúvidas deram lugar a amplas possibilidades e para os bebês todo o aprendizado surge naturalmente, muitas vezes inesperadamente e de forma simples. Posso dizer que esse trabalho foi muito rico e interessante, inclusive porque também me foi um excelente aprendizado. Ademais, esse planejamento coube perfeitamente no projeto que já estava em desenvolvimento com a turma, que chama-se “Bebês Descobridores”.   

sábado, 18 de junho de 2016

CRIANÇA BRINCA

           As famosas fotos de Sebastião Salgado que revelam crianças brincando com ossos de animais mortos, durante uma seca no nordeste do país na década de 1980, são muito impressionantes, e só vem a provar que criança brinca, é da sua natureza e não precisa ter brinquedos prontos, só precisa ter oportunidades para tanto. Muito se fala que as crianças da atualidade só se interessam por tecnologias, mas acredito ser muito relativo, pois o comportamento das crianças baseia-se também aos hábitos dos adultos a sua volta, em especial aos da sua família. A tecnologia é muito atraente, além de ser uma excelente ferramenta de aprendizagem, tanto que nós adultos contemporâneos não sabemos mais viver sem ela. E, como querer que as crianças também não demonstrem interesse? 
            A nossa sociedade imediatista dedica-se boa parte do tempo ao mundo digital, que quase não vemos pessoas em parques, nas ruas caminhando sem compromisso, conversando na frente de casa ou apreciando a natureza. Estas cenas parecem cada vez mais distantes da nossa realidade, seja por medo ou pela fugacidade em que vivemos. Além disso, há pais que preferem ver os filhos quietos em frente ao vídeo game ou da televisão do que ter que ouvir suas perguntas, ou vê-los correndo pela casa. 
            A criança só responde ao contexto em que está inserida, claro que ela também precisa estar a par das tecnologias, entretanto acredito que a aprendizagem não pode ser limitada e para a criança, especialmente, é importante que ela aconteça da união corpo e mente, assim como coloca Ana Oliverio Ferraris autora do texto “Agitação que faz bem”: “A universalidade e a importância que o brincar assume tanto na infância humana quanto entre filhotes, revelam que a prática é essencial ao desenvolvimento – e ao bom funcionamento físico e mental.”




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Referências:
Ossos, Sebastião Salgado
https://www.pinterest.com/analusis/sebasti%C3%A3o-salgado/
FERRARIS, Ana Oliverio. Agitação que faz bemMente Cérebro. São Paulo: EDIOURO DUETTO EDITORIAL Ltda.

Jean Piaget - Fases do desenvolvimento




        Por meio de pesquisas e de seus conhecimentos em biologia e também através da observação empírica de suas filhas e de outras crianças Jean Piaget denomina os estádios do desenvolvimento humano caracterizado por fases. Para Piaget o ser humano evolui por meio de estádios, a criança se desenvolve a partir da sua interação com o mundo e assim o aprendizado acontece de forma gradual e espontâneo.
        A inteligência forma-se por meio de adaptações e o ponto de partida é o egocentrismo, sendo que a partir do momento em que a criança começa a interagir com o mundo o egocentrismo vai diminuindo.
                                    Fases do desenvolvimento humano

Sensório motor (Entre 0-2 anos): A criança baseia-se em percepções sensoriais e esquemas motores para resolver seus problemas, que são práticos. Noções de espaço, tempo e causalidade começam a ser construídos.

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Pré operacional (Entre 2-6 anos): Marcada pelo aparecimento da linguagem oral e do egocentrismo, a criança tem como ponto de referência ela própria.

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Operatório concreto (Entre 7-11 anos): Acontece a descentralização, o pensamento torna-se menos egocêntrico e a criança consegue construir um conhecimento mais compatível com o mundo que a rodeia. O real e o fantástico não mais se misturarão em suas percepções.

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Operatório formal (Inicia-se por volta dos 12 anos): O pensamento torna-se livre das limitações da realidade concreta, torna-se capaz de raciocinar logicamente.

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Referências:
PIAGET, Jean. A Epistemologia Genética. Vozes 2º Edição
Imagens extraídas da internet