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domingo, 5 de junho de 2016

"Apenas Brincando"


Apenas Brincando
Quando eu estiver, no quarto, construindo um edifício de blocos,
Por favor não diga que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Sobre equilíbrio e forma.
Quando eu estiver bem vestido, arrumando a mesa, cuidando do bebê,
Não tenha a idéia de que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Algum dia eu posso ser uma mãe ou um pai.
Quando você me vir até meus cotovelos na pintura,
Ou ajeitando uma moldura, ou moldando e dando forma à argila,
Por favor não me deixe ouvi-lo dizer que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou me expressando e sendo criativo.
Algum dia eu posso ser um artista ou um inventor.
Quando você me vir sentado em uma cadeira “lendo” para uma audiência imaginária,
Por favor não ria e não pense que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Algum dia eu posso ser um professor.
Quando você me vir recolhendo insetos ou colocando coisas que encontro no bolso,
Não os jogue fora como se eu “estivesse apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Algum dia eu posso ser um cientista.
Quando você me vir montando um quebra-cabeças,
Por favor, não pense que estou desperdiçando tempo “brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Estou aprendendo a concentrar-me e resolver problemas.
Algum dia eu posso ser um empresário.
Quando você me vir cozinhar ou provar comidas,
Por favor não pense que estou aproveitando, que é “só para brincar”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou aprendendo sobre os sentidos e as diferenças.
Algum dia eu posso ser um “chef”.
Quando você me vir aprendendo a saltar, pular, correr e mover meu corpo,
Por favor não diga que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou aprendendo como meu corpo trabalha.
Algum dia eu posso ser um médico, uma enfermeira ou um atleta.
Quando você me perguntar o que fiz na escola hoje,
E eu responder: “Eu brinquei”.
Por favor não me entenda mal.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou aprendendo apreciar e ser bem sucedido no trabalho.
Eu estou preparando-me para o amanhã.
Hoje, eu sou uma criança e meu trabalho é brincar.
Texto de Anita Wadley



       Esse lindo texto revela a simplicidade, a leveza e ao mesmo tempo a magnitude com que a criança recria situações do dia a dia, simulando também atividades do cotidiano adulto, fantasiando e explorando a imaginação, desenvolvendo a criatividade. Assim ela vai se resolvendo internamente, desenvolvendo o seu emocional, se conhecendo e preparando-se para enfrentar diversas situações que no futuro surgirão. Brincar é essencial para uma infância saudável e para tornar-se um adulto equilibrado e apto a encarar o desafios que a vida lhe impuser. Também brincado a criança aprende que não existem diferenças como cor, sexo ou religião, aprende a respeitar o próximo, a compreender os seus limites e os do outro, compreendendo que somos todos humanos.

domingo, 15 de maio de 2016

Inclusão na sala de aula: uma solução ou um problema a mais para a educação?

               Foi com esse questionamento que abrimos a nossa aula do Seminário Integrador III do dia 09/05. Essa questão gera muitas dúvidas, mas de um modo geral em nosso grupo de discussão, na visão de quem vivencia esta situação no cotidiano, chegou-se ao consenso da indiscutível necessidade da educação inclusiva a fim de eliminar o preconceito e proporcionar a todas as crianças as mesmas oportunidades. Entretanto nos moldes precários do ensino público que ainda nos encontramos, torna-se um problema sim. Acreditamos que a educação inclusiva ainda esta em processo, lento infelizmente, e que precisa caminhar para melhorias.
               Aproveitando o ensejo, acrescento um trecho de uma carta da comunidade surda, enviada ao Ministro da educação em exercício em 2012, extraído do artigo “Em defesa da escola bilíngüe para surdos: a história de lutas do movimento surdo brasileiro”:
               “A política de educação inclusiva permitiu um crescimento espetacular, de forma que os estudantes com deficiência convivem com os outros alunos e os outros alunos convivem com eles” nos angustia, pois queremos conviver com os demais cidadãos brasileiros, sim, mas queremos, acima de tudo, que a escola nos ensine (...)”
              A questão da inclusão faz parte da nossa realidade de professor e particularmente também a entendo como importante e necessária, pois toda a criança seja ela surda, cega, portadora de deficiência ou dita “normal”, precisa se cercar de possibilidades e se sentir incluída na grande sociedade. Entretanto, a realidade que vemos hoje nas escolas é amarga e excludente, ainda está longe de ser o ideal. Vemos salas de aulas lotadas, escolas precárias, professores desanimados e angustiados sem apoio e o que é pior: o ensino precário também. Sem estrutura e políticas de apoio, o professor ‘sozinho’ não consegue dar conta de assistir a todos os seus alunos com a mesma qualidade, e penso que toda a criança precisa ter garantido o seu direito de receber um ensino de qualificado, ser tratada com a mesma dignidade e ter ampliadas as suas possibilidades de escolha também. E em de acordo com a comunidade surda, penso ser também importante e necessárias escolas focadas no desenvolvimento de crianças com outros modos de aprender, não podemos permitir que escolas sejam fechadas e sim batalhar para que cada vez mais novas escolas surjam, para que sejam valorizados os diferentes modos de aprendizagem, para que todas as realidades sejam compreendidas e em síntese, que o saber alcance a todos.
 


Referência: CAMPELLO, A. R.; REZENDE, P. L. F. Em defesa da escola bilíngue para surdos: a história de lutas do movimento surdo brasileiro. Curitiba: Educar em Revista, n. 2/2014, p. 71-92, Editora UFPR.

domingo, 17 de abril de 2016

Ludicidade, Diversão e Práticas Pedagógicas

Conforme debatemos no nosso encontro com a iterdisciplina de Ludicidade, às vezes o professor na ânsia de ver a sua atividade concretizada ou até por receio, na educação infantil principalmente, pois as crianças se machucam muito ainda, acabam por dirigir demasiadamente as ações dos alunos, bloqueando algumas percepções e assim limitando o aprendizado. Claro que a criança precisa de um ambiente propício e seguro, ela precisa ser orientada e vigiada, mas o professor precisa ter um olhar capaz de perceber que a aprendizagem ocorre de diferentes formas, e que cada criança é única e capaz.
A ludicidade em meu ponto de vista é a forma mais inteligente a ser utilizada quando se quer ensinar algo, pois é uma forma eficaz de desenvolver a criatividade, as áreas cognitivas do desenvolvimento, a motricidade despertando o prazer, a interação através de jogos, música e dança. O intuito do lúdico é educar, ensinar, chamar a atenção se divertindo e interagindo com os outros e o ambiente.

Nas práticas pedagógicas a ludicidade está em concordância com o construtivismo, colocando a criança no centro da construção do seu aprendizado, ou seja, colocando-a como um ser capaz e influente na aprendizagem. Quando o professor se utiliza de meios lúdicos para despertar na criança o interesse em aprender, a transmissão de conhecimento flui com mais facilmente, pois a criança aprende brincando, se divertindo, tendo prazer em realizar a atividade. Sendo necessário para tanto um “olhar” observador e mediador do professor a fim de buscar singularidades em cada criança, para da melhor forma despertar o seu interesse, desenvolver suas aptidões e identificar o que precisa ser construído.


"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo. Se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados, enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem".

                                                                         (Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 3 de abril de 2016

Ver e Olhar

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Muita coisa se pode ver a todo o instante, conseguimos em poucos minutos fazer uma leitura superficial do ambiente ao nosso redor, mas poucas vezes conseguimos "olhar", olhar verdadeiramente, com profundidade. Ver é objetivo e imediato, já o olhar é subjetivo, é uma análise mais profunda, é necessário parar e analisar. Muitas vezes ainda há a necessidade de trocar de lugar, de se colocar no lugar do outro, por exemplo.
Para se ver não há exigências, exceto poder fazê-lo, para olhar exige-se compreensão, exige-se a vontade, o esforço e muitas vezes disponibilidade para abandonar a zona de conforto, abrindo mão de crenças, de valores, de verdades "absolutas". E sendo assim, nem sempre se está preparado para "olhar", seja conscientemente negando-se a fazer ou inconscientemente, simplesmente não percebendo. No entanto nem o nosso "olhar" é necessariamente a verdade, é tão somente o nosso ponto de vista, na qual pode mudar se olharmos de outro ponto, no qual também sofre influência das nossas experiências, das nossas crenças, senso de justiça e sonhos. 
Exemplifico com a famosa frase do teólogo e filósofo Leonardo Boff: "Todo ponto de vista é a vista de um ponto.", presente em seu livro A Águia e a Galinha.
E também com uma célebre frase de Jesus Cristo:"(...)o homem vê a face, mas o senhor olha o coração."(Samuel 16.7)



Referências: CHARCZUK, Simone Bicca. Seminário Integrador III. Sobre o Olhar.

sábado, 26 de março de 2016

A Comunicação




               No dia 21/03 segunda-feira tivemos mais uma aula do Seminário Integrador Eixo III, o assunto no qual permeou o nosso encontro foi justamente a construção do nosso Portfólio de Aprendizagem, fizemos o exercício de rever as nossas postagens e a discussão girou em torno da nossa capacidade de argumentação, do quanto nossa atividade semanal de escrever no blog pode nos auxiliar nessa construção, a melhorar a nossa escrita e a nossa reflexão. Também nos foi proposto visitar o blog dos colegas, com o propósito de estimular também a nossa capacidade de dialogar.
               Achei a atividade muito interessante e de extrema importância para nós aprendizes de pedagogia, pois o diálogo é “simplesmente” a nossa ferramenta de trabalho e para que haja o aprimoramento desse instrumento é extremamente válido e necessário que saibamos refletir sobre as nossas percepções, aprender a colocar as palavras e também, a saber, fazer e receber críticas.
                Eis o ponto crucial da tarefa as “críticas”, esse é um momento em que temos que realmente nos colocar na posição de alunos, elogios são ótimos nos deixam orgulhosos e felizes, mas são as críticas (bem construídas) que nos levam a refletir e a perceber onde precisamos melhorar. Por mais penoso que possa parecer, precisamos aprender também a receber as críticas e a utilizá-las como um degrau importante no avanço da nossa carreira.
                Fica o desafio então de aprendermos a transmitir com clareza e consistência nossos argumentos, ou seja, de nos tornarmos “escritores” e também o de sermos “leitores” a fim de ampliarmos a nossa percepção, nosso ponto de vista e assim se estabeleça a comunicação,  tentar compreender e ser compreendido. Pois como disse Gandhi “Ser capaz de entender o ponto de vista de alguém é um presente inestimável: ganhamos um outro ponto de vista segundo o qual nos enxergamos.”

domingo, 20 de março de 2016

Recomeço

         

               Iniciamos dia 14 desse mês de Março nossas atividades no Pead, inicia-se mais um ano de superação e de conquistas. Assim vamos avançando em nossos objetivos rumo ao progresso de nós mesmos, que tenhamos um excelente ano de aprendizado.
               




"Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento.
Precisamos dar sentido humano as nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.
A vida começa todos os dias."
Érico Veríssimo