sábado, 18 de junho de 2016

CRIANÇA BRINCA

           As famosas fotos de Sebastião Salgado que revelam crianças brincando com ossos de animais mortos, durante uma seca no nordeste do país na década de 1980, são muito impressionantes, e só vem a provar que criança brinca, é da sua natureza e não precisa ter brinquedos prontos, só precisa ter oportunidades para tanto. Muito se fala que as crianças da atualidade só se interessam por tecnologias, mas acredito ser muito relativo, pois o comportamento das crianças baseia-se também aos hábitos dos adultos a sua volta, em especial aos da sua família. A tecnologia é muito atraente, além de ser uma excelente ferramenta de aprendizagem, tanto que nós adultos contemporâneos não sabemos mais viver sem ela. E, como querer que as crianças também não demonstrem interesse? 
            A nossa sociedade imediatista dedica-se boa parte do tempo ao mundo digital, que quase não vemos pessoas em parques, nas ruas caminhando sem compromisso, conversando na frente de casa ou apreciando a natureza. Estas cenas parecem cada vez mais distantes da nossa realidade, seja por medo ou pela fugacidade em que vivemos. Além disso, há pais que preferem ver os filhos quietos em frente ao vídeo game ou da televisão do que ter que ouvir suas perguntas, ou vê-los correndo pela casa. 
            A criança só responde ao contexto em que está inserida, claro que ela também precisa estar a par das tecnologias, entretanto acredito que a aprendizagem não pode ser limitada e para a criança, especialmente, é importante que ela aconteça da união corpo e mente, assim como coloca Ana Oliverio Ferraris autora do texto “Agitação que faz bem”: “A universalidade e a importância que o brincar assume tanto na infância humana quanto entre filhotes, revelam que a prática é essencial ao desenvolvimento – e ao bom funcionamento físico e mental.”




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Referências:
Ossos, Sebastião Salgado
https://www.pinterest.com/analusis/sebasti%C3%A3o-salgado/
FERRARIS, Ana Oliverio. Agitação que faz bem. Mente Cérebro. São Paulo: EDIOURO DUETTO EDITORIAL Ltda.

Jean Piaget - Fases do desenvolvimento




        Por meio de pesquisas e de seus conhecimentos em biologia e também através da observação empírica de suas filhas e de outras crianças Jean Piaget denomina os estádios do desenvolvimento humano caracterizado por fases. Para Piaget o ser humano evolui por meio de estádios, a criança se desenvolve a partir da sua interação com o mundo e assim o aprendizado acontece de forma gradual e espontâneo.
        A inteligência forma-se por meio de adaptações e o ponto de partida é o egocentrismo, sendo que a partir do momento em que a criança começa a interagir com o mundo o egocentrismo vai diminuindo.
                                    Fases do desenvolvimento humano

Sensório motor (Entre 0-2 anos): A criança baseia-se em percepções sensoriais e esquemas motores para resolver seus problemas, que são práticos. Noções de espaço, tempo e causalidade começam a ser construídos.

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Pré operacional (Entre 2-6 anos): Marcada pelo aparecimento da linguagem oral e do egocentrismo, a criança tem como ponto de referência ela própria.

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Operatório concreto (Entre 7-11 anos): Acontece a descentralização, o pensamento torna-se menos egocêntrico e a criança consegue construir um conhecimento mais compatível com o mundo que a rodeia. O real e o fantástico não mais se misturarão em suas percepções.

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Operatório formal (Inicia-se por volta dos 12 anos): O pensamento torna-se livre das limitações da realidade concreta, torna-se capaz de raciocinar logicamente.

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Referências:
PIAGET, Jean. A Epistemologia Genética. Vozes 2º Edição
Imagens extraídas da internet

domingo, 5 de junho de 2016

"Apenas Brincando"


Apenas Brincando
Quando eu estiver, no quarto, construindo um edifício de blocos,
Por favor não diga que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Sobre equilíbrio e forma.
Quando eu estiver bem vestido, arrumando a mesa, cuidando do bebê,
Não tenha a idéia de que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Algum dia eu posso ser uma mãe ou um pai.
Quando você me vir até meus cotovelos na pintura,
Ou ajeitando uma moldura, ou moldando e dando forma à argila,
Por favor não me deixe ouvi-lo dizer que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou me expressando e sendo criativo.
Algum dia eu posso ser um artista ou um inventor.
Quando você me vir sentado em uma cadeira “lendo” para uma audiência imaginária,
Por favor não ria e não pense que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Algum dia eu posso ser um professor.
Quando você me vir recolhendo insetos ou colocando coisas que encontro no bolso,
Não os jogue fora como se eu “estivesse apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Algum dia eu posso ser um cientista.
Quando você me vir montando um quebra-cabeças,
Por favor, não pense que estou desperdiçando tempo “brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Estou aprendendo a concentrar-me e resolver problemas.
Algum dia eu posso ser um empresário.
Quando você me vir cozinhar ou provar comidas,
Por favor não pense que estou aproveitando, que é “só para brincar”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou aprendendo sobre os sentidos e as diferenças.
Algum dia eu posso ser um “chef”.
Quando você me vir aprendendo a saltar, pular, correr e mover meu corpo,
Por favor não diga que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou aprendendo como meu corpo trabalha.
Algum dia eu posso ser um médico, uma enfermeira ou um atleta.
Quando você me perguntar o que fiz na escola hoje,
E eu responder: “Eu brinquei”.
Por favor não me entenda mal.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou aprendendo apreciar e ser bem sucedido no trabalho.
Eu estou preparando-me para o amanhã.
Hoje, eu sou uma criança e meu trabalho é brincar.
Texto de Anita Wadley



       Esse lindo texto revela a simplicidade, a leveza e ao mesmo tempo a magnitude com que a criança recria situações do dia a dia, simulando também atividades do cotidiano adulto, fantasiando e explorando a imaginação, desenvolvendo a criatividade. Assim ela vai se resolvendo internamente, desenvolvendo o seu emocional, se conhecendo e preparando-se para enfrentar diversas situações que no futuro surgirão. Brincar é essencial para uma infância saudável e para tornar-se um adulto equilibrado e apto a encarar o desafios que a vida lhe impuser. Também brincado a criança aprende que não existem diferenças como cor, sexo ou religião, aprende a respeitar o próximo, a compreender os seus limites e os do outro, compreendendo que somos todos humanos.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Na minha escola todo mundo é igual



        Compartilho esse vídeo, pois o achei bem pertinente para interligar as interdisciplinas, vem de encontro ao tema diversidade, inclusão e preconceito. É uma visão bonita e romantizada da escola, que infelizmente ainda está longe de ser a realidade, mas é legal nos nutrirmos desse sonho e não nos cansarmos de bater nessa tecla. A essência de todos nós é a mesma!


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Grande voz feminina da literatura brasileira





               Na literatura assim como na música, muitos nomes vem e vão, mas ha alguns que são imortais, o legado de suas obras transcende o tempo. Cecília Meirelles certamente é um desses nomes.
               Considerada uma das vozes líricas mais importantes da língua portuguesa, em 1934 fundou a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, também com mais de 50 obras publicadas foi a primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira.
               A musicalidade de seus versos é a marca do lirismo de Cecília.
               Os poetas do passado continuam a nos servir de inspiração e suas obras a serem excelentes aguçadoras de novas aprendizagens.






Referências:
www.jornaldepoesia.jor.br/ceciliameireles.html

domingo, 15 de maio de 2016

Inclusão na sala de aula: uma solução ou um problema a mais para a educação?

               Foi com esse questionamento que abrimos a nossa aula do Seminário Integrador III do dia 09/05. Essa questão gera muitas dúvidas, mas de um modo geral em nosso grupo de discussão, na visão de quem vivencia esta situação no cotidiano, chegou-se ao consenso da indiscutível necessidade da educação inclusiva a fim de eliminar o preconceito e proporcionar a todas as crianças as mesmas oportunidades. Entretanto nos moldes precários do ensino público que ainda nos encontramos, torna-se um problema sim. Acreditamos que a educação inclusiva ainda esta em processo, lento infelizmente, e que precisa caminhar para melhorias.
               Aproveitando o ensejo, acrescento um trecho de uma carta da comunidade surda, enviada ao Ministro da educação em exercício em 2012, extraído do artigo “Em defesa da escola bilíngüe para surdos: a história de lutas do movimento surdo brasileiro”:
               “A política de educação inclusiva permitiu um crescimento espetacular, de forma que os estudantes com deficiência convivem com os outros alunos e os outros alunos convivem com eles” nos angustia, pois queremos conviver com os demais cidadãos brasileiros, sim, mas queremos, acima de tudo, que a escola nos ensine (...)”
              A questão da inclusão faz parte da nossa realidade de professor e particularmente também a entendo como importante e necessária, pois toda a criança seja ela surda, cega, portadora de deficiência ou dita “normal”, precisa se cercar de possibilidades e se sentir incluída na grande sociedade. Entretanto, a realidade que vemos hoje nas escolas é amarga e excludente, ainda está longe de ser o ideal. Vemos salas de aulas lotadas, escolas precárias, professores desanimados e angustiados sem apoio e o que é pior: o ensino precário também. Sem estrutura e políticas de apoio, o professor ‘sozinho’ não consegue dar conta de assistir a todos os seus alunos com a mesma qualidade, e penso que toda a criança precisa ter garantido o seu direito de receber um ensino de qualificado, ser tratada com a mesma dignidade e ter ampliadas as suas possibilidades de escolha também. E em de acordo com a comunidade surda, penso ser também importante e necessárias escolas focadas no desenvolvimento de crianças com outros modos de aprender, não podemos permitir que escolas sejam fechadas e sim batalhar para que cada vez mais novas escolas surjam, para que sejam valorizados os diferentes modos de aprendizagem, para que todas as realidades sejam compreendidas e em síntese, que o saber alcance a todos.
 


Referência: CAMPELLO, A. R.; REZENDE, P. L. F. Em defesa da escola bilíngue para surdos: a história de lutas do movimento surdo brasileiro. Curitiba: Educar em Revista, n. 2/2014, p. 71-92, Editora UFPR.

domingo, 1 de maio de 2016

"Literatura para todos"

              Em nosso primeiro encontro da aula de Literatura Infanto Juvenil, com a professora Ivany Souza Ávila, tivemos a oportunidade de “viajar” com incríveis obras como a indianista “I-Juca-Pirama” de Gonçalves Dias, “Navio Negreiro” de Castro Alves, “Grande Sertão Veredas” de Guimarães Rosa e ainda com a música “Construção” de Chico Buarque de Hollanda. É incrível como a literatura tem o poder de tocar a nossa alma, de nos encantar e emocionar. O mais incrível ainda é a riqueza da literatura brasileira, do belíssimo acervo que possuímos e que é capaz de atingir diversos mundos.
              Literatura em meu ponto de vista é encantamento, e cada vez mais sinto que precisamos resgatar esse nosso precioso tesouro escondido, muitas vezes. Estamos carentes de novos e dos incríveis poetas do passado, pois a cada dia vemos fazer tão pouco caso da nossa cultura nos meios midiáticos, por exemplo, vivemos em uma geração de superficialidade, de ostentação, onde o sentimento já não importa muito. Não posso deixar de citar o “funk”, como exemplo, no qual possui grande espaço na mídia brasileira e é a sensação entre os jovens no momento. Nenhuma oposição a quem gosta e quem faz esse estilo “musical”, porém nossos jovens precisam de outras possibilidades também, precisam aprender a refletir, a questionar, a sentir e a sonhar.
              Precisamos e muito da literatura, a fim de despertar em nós também o patriotismo, resgatar as nossas múltiplas culturas que são a essência da nossa terra, o pluralismo de idéias, para não resvalarmos no buraco negro da ignorância e correr o risco de perdermos a nossa identidade.





(...)Ana pensou então em matar-se.  Chegou a pegar o punhal que o índio lhe dera, mas compreendeu logo que não teria coragem de meter aquela lâmina no peito e muito menos na barriga, onde estava a criança.

Imaginou a faca trespassando o corpo do filho e teve um estremecimento, levou ambas as mãos espalmadas ao ventre, como para o proteger. 
Sentiu de súbito uma inesperada, esquisita alegria ao pensar que dentro de suas entranhas havia um ser vivo, e que esse ser era seu filho e filho de Pedro, e que esse pequeno ente havia de um dia crescer(...)
                                                                              Ana Terra (fragmento) Érico Veríssimo